ARTIGO
Roubo de celular no Brasil deixou de ser apenas a perda de um objeto para se tornar uma invasão em cadeia da sua vida financeira. Entenda os riscos e aprenda a blindar seu patrimônio.
Imagine a cena: você está no meio de uma rua movimentada, conferindo o trajeto no GPS ou respondendo a uma mensagem rápida. Em segundos, seu celular é levado. O susto inicial é grande, mas o verdadeiro problema pode estar apenas começando. Com o aparelho em mãos, e muitas vezes ainda desbloqueado, criminosos iniciam uma série de ações para invadir seus aplicativos bancários, realizar transferências via Pix e até contratar empréstimos em seu nome. Dados alarmantes mostram que as fraudes financeiras após o roubo de aparelhos cresceram cerca de 340% em 2025. O crime se profissionalizou: agora existem verdadeiros “manuais” que ensinam como extrair o máximo de dinheiro de uma vítima em poucos minutos.
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O maior erro é acreditar que a senha da tela inicial é suficiente, pois golpistas utilizam táticas específicas para burlar defesas. Ao retirarem o chip (SIM Card) e inseri-lo em outro aparelho, eles conseguem receber SMS de recuperação de senhas de e-mails e redes sociais. Além disso, se o e-mail usado para restaurar acessos bancários estiver logado no próprio celular, a chave do cofre terá sido entregue. Soma-se a isso o fato de que muitos furtos ocorrem com a tela ativa, garantindo acesso imediato a contatos e à galeria de fotos, onde usuários guardam, perigosamente, prints de senhas e documentos.
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Para não ser a próxima estatística, você precisa criar camadas de proteção preventiva. Uma das ações mais eficazes é substituir o chip físico por um eSIM (chip virtual), o que impede que o criminoso remova a linha para usar em outro aparelho. Caso ainda use o chip físico, sempre deve ativar o PIN nas configurações de segurança. Outra medida é usar um e-mail de recuperação de senhas que não esteja instalado no seu celular, acessando-o apenas em um computador seguro em casa. Configure também seus aplicativos de banco para exigirem biometria a cada abertura e reduza seus limites de Pix para o período da noite e fins de semana.
Se o crime acontecer, a velocidade deve ser sua maior aliada para evitar a crise. Primeiro, acesse o site Celular Seguro (gov.br/celularseguro) de qualquer outro dispositivo para bloquear simultaneamente o aparelho, a linha e os apps bancários. Em seguida, utilize as ferramentas de formatação remota, como o “Encontre Meu Dispositivo” ou “Buscar”, para apagar seus dados à distância antes de cancelar a linha definitiva. Ligue para o seu banco para garantir que cartões e contas estejam congelados e registre um Boletim de Ocorrência informando o número do IMEI. Você também pode verificar o Registrato do Banco Central para checar se novas contas ou empréstimos foram abertos indevidamente em seu nome.
Através de entendimentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ),temos que as instituições financeiras são responsáveis por movimentações indevidas ocorridas após você ter comunicado o roubo. Se o banco permitiu transações atípicas que fogem completamente ao seu perfil, ele falhou no dever de segurança e pode ser obrigado a devolver os valores. Reúna sempre protocolos de atendimento, prints e o B.O. Se o banco se recusar a estornar os valores, canais como o Consumidor.gov.br e o Banco Central são caminhos eficientes para sua reclamação. A tecnologia deve trabalhar para facilitar nossa vida, não para nos tirar o sono. A segurança digital não depende somente de ferramentas complexas, mas ema começa com bons hábitos.
Fiquem seguros e lembrem-se que dez minutos de configuração hoje podem salvar suas economias amanhã.
Autor: João Augusto Alexandria de Barros
Diretor de Inteligência do Instituto de Defesa Cibernética
Especialista em Políticas e Estratégias Cibernéticas
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.


