A mudança de posição do vice-governador Ronaldo Lessa, ao se alinhar ao grupo do ex-prefeito JHC, provocou diferentes reações entre antigos aliados. Um dos principais líderes da esquerda em Alagoas resumiu a avaliação em tom mais duro: “Ele jogou toda a história dele no lixo”.
A crítica vai além do movimento partidário. E atinge o campo ideológico.
“O Ronaldo jogou toda a história dele, todas as virtudes que tinha, no lixo. Não valorizou sua trajetória. É uma pena. Tinha um passado louvável até pouco tempo”, afirmou. Segundo o ex-aliado, a mudança não foi apenas de grupo político, mas de posição. “Não foi trocar de partido. Foi mudar de lado ideológico, de posições bem diferentes, até antagônicas”.
A reação não é isolada. A ex-prefeita de Maceió Kátia Born, aliada histórica de Lessa desde os anos 1980, deixou o PDT após a confirmação da aliança. Em declaração pública, criticou a decisão e afirmou que “a vida não é apenas cargos”. Antes da confirmação, registrou: “É difícil acreditar que isso pode acontecer”.
A guinada de Ronaldo Lessa à direita também repercutiu no núcleo familiar. O conselheiro do Tribunal de Contas, Otávio Lessa, irmão do vice-governador, alertou que não participaria do movimento político. Os dois mantêm hoje relações pessoais, mas estariam rompidos em outros campos, especialmente na política.
O deputado federal Rafael Brito, aliado próximo de Lessa e um dos articuladores de sua indicação para vice em 2022, já havia afirmado que uma guinada nesse sentido significaria “jogar a história na lata do lixo”.
No grupo do governo, o movimento de Ronaldo Lessa foi classificado como “traição”.
Nos bastidores, a saída é tratada como quebra de compromisso político. O governador Paulo Dantas evitou usar esse termo publicamente, mas deixou clara a posição ao comentar o episódio. Disse que “achou estranho”, respeitou a decisão e avisou que irá enfrentá-lo nas urnas.
“Vamos derrotá-lo”, afirmou.
Nome histórico da esquerda em Alagoas, Lessa se reposiciona no final de sua trajetória no campo da centro-direita, ao lado de JHC. O movimento provoca reações e abre uma disputa que deixa de ser apenas de bastidores e passa a ser direta.
Se for eleito vice-governador ou senador — dois dos cargos que pode disputar no grupo de JHC —, Ronaldo Lessa ainda terá tempo para tentar recompor sua trajetória. Uma derrota, no entanto, pode deixá-lo diante de um cenário de isolamento político, frente a frente com o ostracismo.



