Search

Advogado diz que dona de triplex de Ciro Nogueira recebeu do grupo Master por 2 anos. Vídeo


O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que a empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que comprou um triplex de R$ 22 milhões em São Paulo, em julho de 2024, recebeu pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil de uma “empresa do grupo Master”, do banqueiro Daniel Vorcaro, por cerca de dois anos.

O valor de R$ 300 mil é o mesmo citado nas mensagens trocadas entre Vorcaro e o primo dele, Felipe Vorcaro, que a Polícia Federal (PF) suspeita que tenha sido uma propina do dono do Banco Master ao senador Ciro Nogueira.

A declaração foi dada por Kakay em entrevista ao Acorda Metrópoles, na manhã desta segunda-feira (11/5). Kakay participou do programa como advogado de Ciro. No entanto, minutos após o término da entrevista, ele comunicou à imprensa que estava deixando a defesa do senador do PP, em comum acordo com o parlamentar.

Como revelado pelo Metrópoles nesse domingo (10/5), a holding patrimonial de Ciro Nogueira, CNLF Empreendimentos Imobiliários, comprou um triplex de 514 metros quadrados na Rua Oscar Freire, badalado endereço na zona oeste de São Paulo, por R$ 22 milhões, em julho de 2024.

A aquisição ocorreu três meses após a empresa da família Nogueira se tornar sócia do fundo Green Investimentos, ligado ao grupo de Vorcaro, e 26 dias antes de o senador apresentar a chamada “emenda Master”, apontada pela Polícia Federal (PF) como um dos principais elos entre o parlamentar o banco envolvido na fraude bilionária.

Segundo a PF, a CNLF comprou 30% em ativos da Green, em abril de 2024, por R$ 1 milhão, embora as ações valessem R$ 13 milhões. Para os investigadores, Ciro levou “vantagem negocial” de R$ 12 milhões em empreendimento ligado à família Vorcaro enquanto defendia os interesses do Master no Congresso.

Advogado diz que dona de triplex de Ciro Nogueira recebeu do grupo Master por 2 anos - destaque galeria

Edifício Oscar 900
1 de 5

Edifício Oscar 900

Renan Porto/Metrópoles

Obra em andamento do edifício Oscar 900
2 de 5

Obra em andamento do edifício Oscar 900

Reprodução/RFM

Vista da parte de cima da construção
3 de 5

Vista da parte de cima da construção

Reprodução/RFM

Parte interna de um dos andares
4 de 5

Parte interna de um dos andares

Reprodução/RFM

Planta de andar do triplex de Ciro Nogueira
5 de 5

Planta de andar do triplex de Ciro Nogueira

Reprodução

Em março deste ano, Ciro trocou o triplex, registrado em nome da CNLF, por uma mansão de 878 metros quadrados no Jardim Europa, bairro que abriga imóveis de alto padrão na zona oeste paulistana. Segundo o próprio parlamentar, tanto o triplex quanto a mansão, que estão em fase final de construção, devem valer cerca de R$ 30 milhões quando ficarem prontos.

Kakay disse ao Metrópoles que Ciro não recebeu dinheiro diretamente do grupo de Vorcaro, mas afirmou que o senador tem 1% de participação na CNLF e que a empresa do parlamentar recebeu pagamentos mensais de R$ 300 mil de uma empresa ligada do grupo Master por cerca de dois anos — Kakay não disse se a empresa era a Green Investimentos.

“Essa empresa [CNLF] fez um negócio com uma determinada empresa do grupo Master e esse negócio rendeu, durante um período, perto de R$ 300 mil por mês, que eram depositados nas contas da empresa do Piauí. Nenhum tostão foi retirado, não tem um tostão nas contas do Ciro Nogueira”, disse Kakay.

Mais adiante na entrevista, o advogado afirmou que a empresa da família Nogueira “recebeu esse dinheiro”, da empresa do grupo Master, “durante aproximadamente 2 anos”.

Questionado pelo Metrópoles, Ciro disse que, para adquirir o triplex, em julho de 2024, entregou um outro apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões, e o restante em dinheiro, de forma parcelada, totalizando R$ 22 milhões. Ele não detalhou a origem dos recursos.

“Todo o imóvel foi negociado com a construtora e pago 100% por minha empresa”, afirmou Ciro, referindo-se à CNLF Empreendimentos Imobiliários, na última sexta-feira (8/5).

Ciro e Master

De acordo com as investigações da Polícia Federal, a emenda apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, 26 dias após comprar o triplex, tinha como objetivo proteger as operações fraudulentas do Banco Master. O texto, que teria sido redigido pela assessoria do próprio banco, previa quadriplicar o valor de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

A emenda não avançou. O Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, com a primeira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro pela primeira vez, por suspeita de fraude bilionária contra o sistema financeiro. Ao todo, o FGC pagará R$ 40 bilhões para 800 mil pessoas que tinham até R$ 250 mil investidos no Master.

Ao representar pelos mandados contra Ciro Nogueira, deferidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF cita mensagens de Vorcaro dizendo que a emenda havia saído “exatamente como mandei” e diálogos do banqueiro com o primo Felipe Vorcaro que indicam pagamentos mensais de propina ao senador do PP.

“Oi, é para continuar pagando a parceria BRGD/CNLF? 300k mes?”, pergunta Felipe em 25 de julho de 2024, dias após Ciro adquirir o triplex. “Sim”, responde Daniel. A PF diz que as mensagens são corroboradas por relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que confirmam as transferências.

Felipe Vorcaro foi preso na mesma fase da operação que fez buscas nos endereços de Ciro Nogueira. Uma das empresas mencionadas por Felipe na mensagem, a CNLF, é apontada na investigação como uma holding patrimonial do senador. O CNPJ, que está no nome do irmão dele, Raimundo Nogueira Lima, foi o mesmo utilizado para adquirir o triplex na Oscar Freire e a casa no Jardim Europa.

Segundo a PF, Ciro virou sócio de Vorcaro quando, em abril de 2024, a CNLF comprou 30% em ativos da empresa Green Investimentos por R$ 1 milhão, embora as ações valessem R$ 13 milhões. Para os investigadores, Ciro levou “vantagem negocial” de R$ 12 milhões em empreendimento ligado à família Vorcaro enquanto defendia os interesses do Master no Congresso.

“Perseguição política”

Na última sexta-feira (8/5), Ciro Nogueira se manifestou pela primeira vez sobre a operação da Polícia Federal. Em nota publicada nas redes sociais, o parlamentar afirmou ser vítima de “perseguição política” e disse que tentam “manchar” sua honra pessoal em anos eleitorais.

“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu o senador. Ciro também relembrou a eleição de 2018, quando, segundo ele, teria sido alvo de acusações semelhantes. “O povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário”, afirmou.



Metropole