A temporada de gripe começou mais cedo em 2026 e reforça a importância da vacinação contra a influenza. O aumento de casos de doenças respiratórias aparece em diferentes estados e ocorre ao mesmo tempo em que outros vírus, como o sincicial respiratório, também circulam.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, até o início de março, 26 estados registraram crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, com mais de 16 mil notificações. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que a temporada deste ano pode ser mais intensa do que o habitual.
Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário está a circulação da variante K do vírus Influenza A H3N2, identificada no Brasil em dezembro. Desde então, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem reforçado a necessidade de ampliar a vacinação o quanto antes.
A médica e sanitarista Melissa Palmieri, atual vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) afirma que a imunização precisa ser vista como parte da rotina de cuidado.
“Manter o esquema vacinal atualizado contribui para reduzir a circulação do vírus e proteger tanto o indivíduo quanto a sociedade”, destaca.
Mesmo com a recomendação, dúvidas sobre a vacina ainda são comuns entre a população, especialmente em meio ao aumento de casos. Confira as respostas das principais dúvidas sobre a vacina!
A vacina protege contra todas as cepas do vírus da gripe?
As vacinas são atualizadas todos os anos para proteger contra as cepas mais comuns em circulação. O imunizante estimula o organismo a produzir anticorpos contra o vírus da gripe, preparando o corpo para reagir caso haja infecção.
Como a proteção não é permanente e o vírus sofre mutações frequentes, a dose anual é necessária. Por isso, a OMS recomenda a vacinação todos os anos.
Posso me vacinar se estiver doente ou com febre?
Em caso de febre, a recomendação é adiar a vacinação até a recuperação. Segundo os médicos, o organismo precisa estar em boas condições para responder adequadamente ao imunizante. Além disso, esperar a melhora evita confundir sintomas da doença com possíveis reações à vacina.
Segundo o Ministério da Saúde, hidratação e repouso são fundamentais durante quadros gripais. “Caso você apresente os sintomas da gripe, é fundamental manter-se hidratado, dando preferência a líquidos como soro de hidratação oral, água, chás e sucos”, diz Patrícia Ruffo, nutricionista e gerente científica da Divisão Nutricional da Abbott no Brasil.
Em situações em que os sintomas persistem, como a perda de apetite, o uso de um suplemento de nutrição oral pode ser indicado. “Nesses casos, é recomendado o acompanhamento de um nutricionista ou médico”, acrescenta a profissional.
A vacina pode causar gripe?
Não. A vacina não contém vírus ativo capaz de provocar a doença. É comum que algumas pessoas associem sintomas posteriores à vacinação como gripe, mas os efeitos mais frequentes são leves, como dor, inchaço ou vermelhidão no local da aplicação, que desaparecem em pouco tempo.
Pessoas com imunidade baixa podem se vacinar?
Sim. A vacinação é indicada para pessoas com algum grau de imunossupressão, incluindo pacientes em tratamento oncológico ou pessoas vivendo com HIV.
Nesses casos, é importante seguir a orientação do médico para definir o melhor momento da aplicação, especialmente durante tratamentos como quimioterapia.
Quem tomou a vacina no ano passado precisa repetir?
Sim. A vacinação anual é necessária porque o vírus da gripe muda constantemente e a proteção diminui com o tempo. As vacinas são atualizadas a cada temporada para acompanhar as cepas mais recentes em circulação.
Existem outras formas de prevenção além da vacina?
Medidas simples ajudam a reduzir a transmissão, como lavar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo com pessoas com sintomas gripais.
Se houver sintomas, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes. “A medicação antiviral funciona melhor se for administrada até 48 horas após o início dos sintomas, portanto, o diagnóstico rápido e assertivo é fundamental para o tratamento adequado e a recuperação plena”, afirma Oscar Guerra, diretor médico da Divisão de Diagnósticos Rápidos da Abbott para a América Latina.



