As temperaturas mínima e máxima do ar na cidade de São Paulo têm aumentado muito acima da média mundial nos últimos 125 anos. Enquanto a temperatura média global subiu aproximadamente 1,2 °C desde 1900, e a da superfície terrestre, 2 °C, de acordo com dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), na capital paulista a máxima diária, que ocorre em torno das 13h, cresceu 2,4 °C, acentuando-se principalmente a partir de 1950. Já a temperatura mínima diária, registrada tipicamente às 6h, teve um incremento de 2,8 °C desde o início do século XX.
As observações foram feitas por Humberto Ribeiro da Rocha, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), em palestra apresentada no encontro “Eventos extremos de calor e água: Mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas na saúde das cidades”, promovido pela Fapesp e pela Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica (NWO, na sigla em inglês) em 7 de maio, no auditório da Fundação.


Onda de calor atinge estado de São Paulo
Cesar Sacheto/Metrópoles

Homem se protege do forte sol em São Paulo
Divulgação/Governo de São Paulo

Ciclista na passarela sobre a Avenida 23 de Maio, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Passarela sobre a Avenida 23 de Maio, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Visitantes bebem água de coco no Parque Ibirapuera
William Cardoso/Metrópoles

Mulher se abana no Parque Ibirapuera
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro na Avenida 23 de Maio, em São Paulo
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Local por onde passa o Córrego do Sapateiro, nas proximidades do Parque Ibirapuera
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Termômetro na Sena Madureira, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro na Sena Madureira, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo
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Calor em SP
William Cardoso / Metrópoles

Calor Recorde em SP
Paulo Pinto/Agência Brasil

Ciclista circula em dia de calor na avenida Paulista
Divulgação/Governo de SP

Audrey Caroline, recepcionista, na Rua Pedro de Toledo, zona sul de SP, em meio ao calor na capital
William Cardoso/Metrópoles

Igor Melo, artista independente, na Rua Pedro de Toledo, zona sul de SP, em meio ao calor na capital
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Termômetro marca 37 graus na Rua Vergueiro, em SP
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Instrumentos meteorológicos da estação da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo
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Após dias de chuva, calor deve voltar em SP
Rebeca Ligabue/Metrópoles

Calor em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Calor em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro marca 40 graus na Avenida Rubem Berta, perto do Ibirapuera
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro marca 40 graus na Avenida Rubem Berta, perto do Ibirapuera
William Cardoso/Metrópoles

Foliões recebem jato d´água para se refrescar do forte calor em SP durante passagem do Bloco da Pabllo
Leonardo Amaro/Metrópoles

Termômetro marca 35°C em dia de verão na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

São Paulo
Camila Olivo/ Metrópoles

Após dias frios, calor volta para SP ainda nesta semana. Veja quando
Paulo Pinto/Agência Brasil

Onda de calor em SP
Cesar Sacheto/Metrópoles

Mais um dia típico de verão para todo o estado de São Paulo
Reprodução

Nova onda de calor em SP – veja previsão do tempo
William Cardoso/ Metrópoles

Termômetro marca 35°C na Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro marca 34°C na Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Crianças se refrescam no chafariz do Parque da Independência em dia de forte calor em São Paulo
Paulo Pinto/Agência Brasil

Ciclistas pedalam pela Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Grupo de colegas de trabalho toma sorvete na Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro marca 34°C na Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Pedestres caminham pela Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro marca 35°C na Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Vendedor ambulante na Avenida Paulista, em São Paulo, em abril de 2024
William Cardoso/Metrópoles

Termômetro marca 34°C na Avenida Paulista, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Mulheres se protegem do sol à sombra na Avenida Paulista, em São Paulo
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Mulher se abana com leque na Avenida Paulista, em São Paulo
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Termômetro de rua marca 40 graus na Avenida Nove de Julho, região central de SP
Rovena Rosa/Agência Brasil

Avenida 23 de Maio, na zona sul de São Paulo, em tarde nublada
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Paulistanos caminham sob forte calor no centro de São Paulo
Paulo Pinto/Agência Brasil

Termômetro marca 41°C enquanto trabalhadores fazem o serviço em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Congestionamento no meio da tarde na Rua Vergueiro, ao lado da estação meteorológica da Vila Mariana, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Instrumentos meteorológicos da estação da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo
William Cardoso/Metrópoles
Por meio de estudos conduzidos no âmbito do Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas – um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) apoiado pela FAPESP –, Rocha e os pesquisadores Miguel de Carvalho Diaféria, Rodrigo Lustosa, Ana Nogueira Campelo e Denise Duarte têm constatado que as disparidades da temperatura na cidade de São Paulo em relação à média global estão relacionadas à ilha de calor urbana. O fenômeno ocorre em áreas urbanizadas que apresentam temperaturas significativamente mais altas devido à substituição da cobertura de vegetação por materiais de construção, como asfalto, concreto e alvenaria.
Em um novo estudo, os pesquisadores vinculados ao centro analisaram as relações entre a ilha de calor urbana e a cobertura de vegetação em 70 cidades do Estado de São Paulo utilizando dados de temperatura da superfície terrestre referentes ao período de 2013 a 2025, obtidos por meio de satélites do programa Landsat, da agência espacial norte-americana (Nasa).
Os resultados das análises apontaram que, no verão, a temperatura de superfície nas áreas urbanizadas mais críticas da Grande São Paulo atinge até 60 °C, marca típica de grandes galpões industriais. Por outro lado, nas áreas mais frias, com maior cobertura vegetal e corpos d’água, a temperatura chega, no máximo, a 25 °C.
Outras constatações feitas por meio do trabalho, em vias de publicação, foram que a temperatura nas áreas urbanizadas mais quentes da região foi, na média, entre 7 °C e 12 °C superior à das áreas frias durante o verão.
“Ao olhar a distribuição das ilhas de calor ao longo do Estado de São Paulo, notamos que há uma grande concentração na região nordeste, onde também há o cultivo em larga escala de cana-de-açúcar e, pontualmente, em algumas cidades, como as da Região Metropolitana de São Paulo, onde as áreas mais quentes são as com maior densidade populacional. Mas o fenômeno não se restringiu às grandes cidades: as pequenas também apresentam ilhas de calor de forma consolidada”, ponderou Rocha.
Efeitos das ondas de calor
Por meio de um novo projeto realizado com suporte do CCD e do projeto municipal “Sampa Adapta”, conduzido pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, os pesquisadores começaram a medir a temperatura do ar na Região Metropolitana de São Paulo com o objetivo de identificar o efeito das ondas de calor em escala regional e local, no nível das ruas e residências. Para isso, analisaram dados obtidos por 25 estações meteorológicas no nível da rua e no interior de residências e escolas, além de dezenas de outras mantidas pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), operado pela Defesa Civil do Estado de São Paulo.
Os resultados das análises revelaram que, nos últimos 15 anos, durante as ondas de calor, têm sido registradas em vários locais da Região Metropolitana tardes muito quentes, com temperaturas variando entre 30 °C e 34 °C. Já à noite, a temperatura do ar por volta das 22h atinge 28 °C.
“Esse dado é muito crítico, porque é nesse horário que a maioria das pessoas vai dormir”, disse Rocha.
Nessas condições, a sensação térmica no interior das casas foi ainda mais exacerbada em razão de uma sucessão de noites com temperatura em torno de 30 °C. “Várias edificações não tinham isolamento térmico suficiente contra o calor externo e, à noite, se comportaram como pequenos fornos aquecidos que retiveram o calor”, comparou Rocha.
A iniciativa Sampa Adapta integra gestão pública, ciência e participação social para fortalecer e aprimorar as políticas públicas voltadas ao enfrentamento dos efeitos do calor extremo na cidade de São Paulo. Os pesquisadores do IAG-USP são responsáveis pela instalação técnica e análise dos dados obtidos por sensores para estimar a temperatura do ar no nível da rua, tanto em ambientes internos quanto externos.
Soluções baseadas na natureza
A implementação de soluções baseadas na natureza (SbN) pode contribuir para o resfriamento do ar em escala local, apontou o pesquisador.
Por meio da análise de dados obtidos por estações meteorológicas, os pesquisadores do CCD avaliaram a relação entre a temperatura média do ar no nível da rua na Grande São Paulo e as condições de sombreamento de vegetação em experimentos urbanos. Os resultados corroboraram a eficiência da cobertura vegetal em promover o “efeito oásis”, que proporcionou um resfriamento local pronunciado, de até 7 °C, em relação às ruas urbanizadas.
“Temos vários indícios de que a revegetação urbana na Região Metropolitana e, de forma geral, no Estado de São Paulo é não só uma oportunidade potencial, mas também viável para o resfriamento urbano nos eventos extremos”, afirmou.

