COPA DO MUNDO
Treinador diz que atacante atuará mais centralizado no ataque
A convocação de Neymar para a Seleção Brasileira coloca em pauta uma das principais dúvidas para o início da preparação do time de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo: onde o camisa 10 será escalado dentro da equipe. A tendência, caso seja titular, é que o treinador o utilize em uma função mais centralizada no setor ofensivo, característica citada pelo próprio comandante ao comentar os primeiros planos para o craque.
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O esquema preferido de Ancelotti no desenrolar de seu trabalho é o 4-2-4, formação utilizada nas últimas partidas da Seleção Brasileira e que pode servir como base para o time nacional. Nesse modelo, o ataque contaria com Raphinha aberto pela esquerda, Luiz Henrique atuando pelo lado direito, além de Vinícius Júnior e Matheus Cunha mais centralizados. A principal possibilidade é justamente Neymar ocupar a vaga de Matheus Cunha, tornando-se o jogador mais ofensivo pelo centro do ataque, mas com liberdade para circular, recuar e participar diretamente da criação das jogadas.
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Além do 4-2-4, Ancelotti também pode recorrer ao 4-2-3-1 em algumas situações específicas. Uma das alternativas seria utilizar Neymar como um falso 9, novamente com liberdade de movimentação, acompanhado por um meia de maior mobilidade, como Matheus Cunha ou até mesmo Raphinha. Nesse cenário, o atacante poderia sair da referência da marcação e criar superioridade numérica entre os zagueiros e os volantes adversários. Luiz Henrique deixaria o time.
A ideia se aproxima bastante da função exercida pelo camisa 10 no Santos sob o comando de Cuca. No clube paulista, Neymar deixou de atuar preso ao lado do campo e passou a flutuar pelo setor ofensivo, aproximando-se mais da bola e participando intensamente da construção ofensiva. A movimentação constante também ajuda a abrir espaços para infiltrações dos companheiros na Seleção Brasileira, especialmente jogadores rápidos como Vinícius Júnior, Raphinha ou Luiz Henrique.
Outra opção dentro do 4-2-3-1 seria escalar Neymar mais recuado, praticamente como um armador central. O sistema contaria com um centroavante mais físico e de área, como Endrick ou Igor Thiago, responsáveis por ocupar os zagueiros e atacar a última linha defensiva. Com isso, Neymar teria liberdade para cair pelos lados, acelerar jogadas e encontrar passes em profundidade.
A mudança de função também representa uma evolução natural do próprio jogador. Na Copa de 2014 e na de 2018, Neymar atuava mais pelo lado esquerdo do ataque, explorando velocidade, drible curto e arrancadas em direção ao gol. Era um atleta mais explosivo fisicamente, mas também mais distante da área em vários momentos. Já na Copa do Mundo de 2022, o camisa 10 apareceu mais centralizado, participando da organização ofensiva e circulando pelo meio de campo e buscando iniciar as jogadas do Brasil — como ocorreu no gol do empate com a Croácia, nas quartas de final da Copa do Catar.
Essa transformação de estilo também foi influenciada pelos problemas físicos enfrentados pelo atacante nos últimos anos. A grave lesão sofrida em 2023 mudou características importantes do jogo de Neymar, principalmente em relação à explosão e intensidade nas arrancadas. Além disso, ao longo de 2025, o jogador conviveu com inúmeras lesões musculares, situação que atrapalhou sua sequência dentro de campo e atrasou seu retorno à Seleção Brasileira. Com isso, a tendência é que o camisa 10 atue em funções que exijam menos deslocamentos longos e privilegiem sua qualidade técnica, visão de jogo e capacidade de articulação ofensiva.
— Ele é um jogador importante, vai ser importante nessa Copa do Mundo. Tem o mesmo papel e obrigação que os outros 25. Tem a possibilidade de jogar, não jogar, entrar, estar no banco. Tem a mesma responsabilidade que os outros. É um jogador experiente.
Tudo, porém, dependerá diretamente do esquema montado por Ancelotti para a equipe brasileira. O treinador iniciará oficialmente a preparação visando o Mundial no próximo dia 27 de maio, na Granja Comary, em Teresópolis. Será neste período de treinamentos que o técnico começará a desenhar o papel de Neymar dentro da nova estrutura da Seleção. A tendência, no entanto, é clara: um jogador menos preso ao lado do campo e cada vez mais responsável por organizar e dar criatividade ao setor ofensivo do Brasil. Ou até mesmo uma opção de peso no banco de reservas.
— Escolhemos Neymar não porque pensamos que vai ser um bom reserva, e sim porque pode trazer suas qualidades para a equipe, mesmo que jogue um minuto. Escolhemos esses jogadores porque estão certos de que vão ajudar. Quanto tempo? Não sei — disse o treinador.


