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Assassino é condenado a 30 anos em Cacimbinhas


Juiz Robério Monteiro de Souza conduziu júri polular

Após quase 16 anos de espera e forte comoção popular, o Tribunal do Júri de Cacimbinhas condenou, nesta quarta-feira, 20, José Afrízio da Silva, de 46 anos, a uma pena de 30 anos de reclusão em regime inicialmente fechado. Ele sentou no banco dos réus pelo assassinato brutal da adolescente Josefa Cristina Lopes da Silva,…

Após quase 16 anos de espera e forte comoção popular, o Tribunal do Júri de Cacimbinhas condenou, nesta quarta-feira, 20, José Afrízio da Silva, de 46 anos, a uma pena de 30 anos de reclusão em regime inicialmente fechado. Ele sentou no banco dos réus pelo assassinato brutal da adolescente Josefa Cristina Lopes da Silva, de 14 anos, ocorrido em outubro de 2010.

O crime, motivado por uma discussão por causa de uma dívida de apenas R$ 20, chocou a pacata cidade do Sertão alagoano devido à crueldade e ao erro na execução.

O julgamento popular foi conduzido pelo juiz Robério Monteiro de Souza, titular da Comarca. No plenário, o promotor de Justiça Izelman Inácio sustentou a acusação do Ministério Público de Alagoas (MPAL), que enfrentou o decurso do tempo para garantir a punição do réu.

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O Conselho de Sentença acatou integralmente as teses do MPAL, reconhecendo as qualificadoras de motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A mobilização tomou conta das ruas de Cacimbinhas desde as primeiras horas da manhã. Cartazes com pedidos de justiça foram espalhados por árvores e um folheto virtual com a hashtag #JustiçaPorCristina convocou os moradores para acompanhar o julgamento.

“A dor dos pais que ouviram os gemidos da filha agonizando, um crime brutal cuja motivação seria a cobrança de um débito de vinte reais, algo abominável e jamais poderia ficar impune”, declarou o promotor Izelman Inácio após o veredito.

O caso

De acordo com a denúncia do Ministério Público baseada nos autos do processo, a tragédia começou a se desenhar 15 dias antes do crime, quando o irmão da vítima, Paulo César Lopes da Silva, cobrou de José Afrízio uma dívida de R$ 20 decorrente de um jogo de sinuca. A cobrança gerou um forte desentendimento. No dia do crime, 2 de outubro de 2010, uma nova cobrança pela manhã enfureceu o acusado, que planejou a vingança.

Por volta das 23h daquela data, o homem invadiu a residência da família no povoado Minador do Lúcio, na zona rural do município. Ele entrou em um dos quartos escuros e, ao avistar uma pessoa totalmente coberta na cama, desferiu quatro golpes de faca. O agressor acreditava estar matando Paulo César, mas o alvo pretendido dormia em outro cômodo. A pessoa na cama era a adolescente Josefa Cristina.

Os pais da jovem acordaram assustados com os gemidos da filha. Ao irem até a sala, depararam-se com o criminoso e entraram em luta corporal com ele. Durante o confronto físico, o casal conseguiu arrancar a camisa e os sapatos do assassino, mas ele conseguiu fugir.

Ao checarem os quartos, encontraram o filho dormindo e a filha agonizando do lado de fora do cômodo. Josefa Cristina foi socorrida e levada à Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca, mas não resistiu aos ferimentos.

MPAL

Justiça por Cristina

“Aberratio Ictus” e a sentença

A decisão do magistrado aplicou ao caso o instituto jurídico da aberratio ictus (erro na execução), configurado quando o agente pretende atingir uma pessoa, mas acaba acertando outra. Na sentença, o juiz Robério Monteiro de Souza determinou o cumprimento imediato da pena e fixou uma indenização mínima de R$ 100 mil por danos morais à família de Josefa Cristina.

José Afrízio já estava preso preventivamente desde julho de 2025.

Um dos pontos cruciais para a investigação, além do depoimento da mãe da vítima, foi o testemunho da própria esposa do acusado na época, que confirmou às autoridades que as roupas e os calçados deixados na cena do crime pertenciam ao marido.





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