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GRATIDÃO À ANCESTRALIDADE – Yaradir de Albuquerque Sarmento


Quantas vezes penso nas mulheres e as imagino compondo minha árvore genealógica, perco-me em sua copa de inúmeros e frondosos galhos.

Observo com cuidado as inúmeras árvores filhas que brotam lentas e frágeis de suas raízes, e que vêm à luz formando imensa floresta.

Intriga-me essa força primordial, tectônica de manter a vida vicejando apesar das inúmeras dificuldades; Danos externos, tentativas numerosas para danificar suas ramificações; Esmagar a vida latente.

Desenterrar do solo os novos brotos no maldoso intuito de tolher a força dessas mulheres ancestrais.

Guardadas dentro de nós, no nosso inconsciente a “bruxa, a babá yaga do Norte da Europa, a Iracema das nossas matas. As deusas negras exuberantes, belas, extremamente sensuais, perigosas aos falsos castos senhores, dos castelos, terras e sacristias”.

Multiplicando-se no escuro do subsolo brumoso de séculos, e milênios sobrevivemos.

Quando como dizem as tribos americanas, eu ainda estava no calcanhar da minha avó, enovelada em uma semente aguardando o tempo certo para brotar e compor a sinfonia desse parentesco filha-mãe-avó a que pertenço por direito de sangue.

Nessa sucessão matrilinear de mulheres que me antecederam e certamente me sucederão ou já me sucedem.

Nessa cadeia que não se acabará nunca, desde que haja vida no planeta; ter recebido de minhas ancestrais o dom de ser – a mulher que cura, a mulher que cuida-sendo cura-saúde um conceito quase único em nosso inconsciente, me traz certeza, vislumbrando o longo e penoso caminho de minhas ancestrais, auspicioso sentimento-pensamento de gratidão por tudo que conseguimos alcançar até agora.

Gratidão, gratidão, gratidão.

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Yaradir de Albuquerque Sarmento

É sócia efetiva da AAL, ocupa a cadeira 14 desde 2015 publicou o primeiro livro em 2013: versos sem reverso – editor Benedito Ramos Amorim, no ano seguinte publicou outro livro de poemas: Maquinações Poéticas com o mesmo editor e logo em seguida o romance: Sonho de Uma Noite na Índia lançado sob a edição de Benedito Ramos Amorim no ano 2016. O nascimento de vênus livro de poemas publicado em 2019 – editora CBA. em 2021 – editora Viva – Um Jeito Feminino de Ser Crônicas e Contas. 2021 – editora Viva – Camaleoa – Romance 2023- editora Viva – Poemas Esquecidos – aguardando lançamento. Pintora autodidata fez duas exposições no MISA – 2014 e 2019. uma exposição coletiva no parque shopping. Sua pintura é espontânea, tem traços de impressionismo, no entanto as cores são sua paixão e desafio, flores e mulheres místicas são seu tema favorito. Quer através da pintura resgatar o divino no feminino, a deusa geratriz que impulsiona a humanidade para a procura do bem e o belo, tanto externamente na natureza que nos cerca quanto interna na força do espírito que constrói e eleva o homem aos paramos dos deuses.



Fonte: Gazetaweb