VENENOSO
Falta de predadores naturais, espinhos venenosos e reprodução descontrolada podem levar a espécie para todo o litoral brasileiro
O belo peixe-leão há algum tempo vem se tornando uma ameaça ao litoral brasileiro e já se espalha pela costa nordestina. O animal representa um risco em duas frentes: se, por um lado, é danoso para o ecossistema, por outro, também pode ser perigoso para banhistas.
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O peixe-leão é um predador eficiente. Ele se alimenta de peixes pequenos e invertebrados, compete com espécies nativas por comida e abrigo, além de circular em áreas usadas por turismo, pesca artesanal e mergulho.
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Por que ele é perigoso?
A preocupação cresce porque muitos peixes brasileiros não reconhecem o invasor como ameaça. Com isso, acabam virando presas fáceis. Além disso, o peixe-leão possui poucos predadores no Atlântico, o que facilita sua reprodução descontrolada.
Segundo a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 2023 o animal já havia sido localizado no Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba. Na época, mais de 300 indivíduos já tinham sido encontrados.
“Acreditamos que ele terminará por colonizar todo o litoral brasileiro”- Vidal Haddad Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Unesp, ao Jornal da Unesp.
Enquanto isso, o perigo para humanos está nos espinhos venenosos. A peçonha pode causar dor forte, inchaço, febre, desmaios e, mais raramente, convulsões. Por isso, o animal não deve ser tocado, mesmo quando parece parado ou morto.
O Ministério do Meio Ambiente orienta que pescadores e mergulhadores informem as autoridades sobre o local de avistamento. A recomendação também é não devolver o animal ao mar quando houver captura acidental.
Avanço pelo litoral brasileiro
Não se sabe a fonte exata pela qual a espécie nativa dos oceanos Índico e Pacífico chegou ao Atlântico, mas existem hipóteses. A principal é a de liberação ou fuga de animais presentes em aquários ornamentais na região do Mar do Caribe.
A chegada do peixe-leão ao Brasil passou a preocupar mais a partir de 2020, com registros em Fernando de Noronha e na costa do Amapá. Depois, novas ocorrências mostraram que a invasão não estava limitada a pontos isolados.
Um estudo publicado na revista Marine Environmental Research, que analisou a presença da espécie em áreas marinhas protegidas do Atlântico Sudoeste, apontou que o peixe-leão invadiu ao menos 18 áreas marinhas protegidas entre 2020 e 2024, em uma faixa de 4 mil quilômetros.
Controle de danos
O controle do peixe-leão depende de ação rápida, monitoramento e captura por equipes treinadas. O ICMBio já capacitou servidores de unidades de conservação do Nordeste para lidar com o avanço da espécie.
Em Fernando de Noronha, a situação mostra a dimensão do desafio. O ICMBio informou que mais de 1.200 exemplares já foram removidos desde o início do manejo na região, com operações feitas por equipes capacitadas.
Apesar de parecer cruel, qualquer espécime capturado deve ser prontamente abatido para realizar o controle populacional.


