Search

Mais de 900 casos suspeitos de ebola foram identificados na RD Congo


Do total, pelo menos 101 foram confirmados, informou o diretor-geral da organização

Uma mulher senta-se ao lado de um parente que se acredita ter morrido de Ebola no Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, na província de Ituri, República Democrática do Congo, em 20 de maio. Michel Lunanga/Getty Images via CNN Newsource

Mais de 900 casos suspeitos de ebola, incluindo 101 casos confirmados, foram identificados na República Democrática do Congo, afirmou o diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, neste domingo (24).

Tudo em um só lugar.

Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

ACESSE O GRUPO >

O que explica o surto da doença no país?

Leia também

Nas áreas rurais da República Democrática do Congo, uma cepa letal do vírus Ebola devastou comunidades locais, causando mais de 100 mortes e desencadeando uma emergência de saúde global.

O vírus foi descoberto pela primeira vez no país em 1976 e continua sendo uma ameaça constante. O país da África Central registrou 17 surtos, mais do que qualquer outro no mundo – e um surto grave entre 2018 e 2020 deixou 2.299 mortos.

Shorts Youtube

O ebola – um vírus frequentemente fatal que causa sintomas graves, incluindo febre alta e hemorragias internas e externas – tem origem em animais selvagens.

Ele é transmitido aos humanos através do contato próximo com o sangue ou fluidos corporais de animais selvagens infectados, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos, como macacos, de acordo com a OMS.

Uma vez que o vírus entra em uma comunidade, ele se espalha rapidamente entre as pessoas por meio do contato direto com fluidos corporais ou superfícies contaminadas.

O surto atual é causado pela cepa Bundibugyo, uma forma rara do vírus Ebola. Ao contrário da cepa Zaire, mais comum, a variante Bundibugyo não possui, atualmente, vacinas ou tratamentos aprovados.

Os cientistas acreditam que os humanos contraíram o Ebola pela primeira vez ao caçar, manusear ou comer animais selvagens infectados. Esse tipo de alimento – particularmente morcegos, macacos, ratos-do-mato e antílopes – continua popular na República Democrática do Congo, apenas um dos motivos pelos quais o Ebola permanece um perigo atualmente.

Os surtos recorrentes na RD Congo estão ligados à sua geografia. Vastas e densas florestas cobrem mais de 60% do território do país (mais de 150 milhões de hectares), servindo como um terreno fértil natural para o Ebola.

Para muitos moradores rurais da Bacia do Congo – a segunda maior floresta tropical do mundo – onde a carne de caça representa até 80% da ingestão local de proteínas, caçar animais selvagens é uma questão de sobrevivência, não de preferência.

No entanto, essa fonte vital de alimento serve como principal porta de entrada para a transmissão de vírus mortais de animais para humanos, de acordo com Eteni Longondo, ex-ministro da Saúde Pública do país.

Longondo disse à CNN que regulamentar a caça nas densas florestas do país e impedir que as comunidades consumam animais selvagens, principalmente carcaças, continua sendo um desafio significativo para as autoridades de saúde.

“Tudo começa na floresta, e não temos nenhum controle sobre isso”, disse ele, observando que os hábitos tradicionais de caça não podem ser mudados da noite para o dia.

“Você não pode simplesmente dizer às pessoas para abandonarem sua cultura e elas pararem imediatamente. Elas continuam comendo carne de animais selvagens porque não têm outra alternativa”, explicou.

A RD Congo é rica em minerais, mas mais de 80% de seus 100 milhões de habitantes vivem em extrema pobreza.

A situação é particularmente grave no leste, onde uma rebelião armada ativa permitiu que uma poderosa coalizão rebelde tomasse o controle de vastos territórios, deslocando milhões de pessoas e mergulhando a região em uma grave crise alimentar.

Nesta quinta-feira (21), os rebeldes confirmaram um caso de Ebola em Bukavu, cidade sob seu controle na província de Kivu do Sul. Eles relataram que o paciente, um homem de 28 anos, havia falecido e sido sepultado em segurança. Além disso, os rebeldes anunciaram a identificação de um caso separado de Ebola em Goma, a maior cidade do leste do país, também sob seu controle.



Fonte: Gazetaweb