INTERNET
Esqueça a ideia de que criminosos digitais só buscam senhas de banco e de cartão de crédito. Entenda como a falta de segurança na internet pode afetar diretamente a água que você bebe, a energia da sua casa e o funcionamento dos serviços essenciais ao seu redor
Você provavelmente já recebeu um alerta de segurança no celular ou mudou uma senha com medo de ter sua conta clonada. No nosso cotidiano, fomos ensinados a associar o termo “hacker” ao roubo de dados, fraudes financeiras ou vazamento de conversas privadas. Mas a verdade é que o mundo digital mudou drástica e silenciosamente. Hoje, as telas estão conectadas diretamente às máquinas, e um clique errado ou criminoso a milhares de quilômetros de distância pode gerar consequências físicas bem reais no seu bairro.
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Imagine um posto de combustíveis na esquina da sua casa. Para controlar a quantidade de gasolina nos tanques subterrâneos e evitar vazamentos, o posto usa sensores conectados à internet. Se o administrador deixa esse sistema sem senha, ou mesmo ela é fraca, que é um erro mais comum do que se imagina, qualquer invasor pode entrar ali. O risco aqui não é o roubo de informações, mas o controle físico, permitindo alterar os alarmes para que o tanque transborde, criando um risco iminente de incêndio ou contaminação do solo em plena área urbana. Notícias vinculam ações de hackers invadindo bombas de combustível nos Estados Unidos.
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Em outros setores este cenário também deixou de ser especulação, agências americanas já emitiram alertas sobre grupos que invadiram sistemas de tratamento de água nos Estados Unidos. Em um dos casos mais emblemáticos, um operador viu o cursor do seu mouse se mover sozinho na tela; o invasor estava tentando aumentar em cem vezes a quantidade de produtos químicos na água que abastecia a cidade. O desastre só não aconteceu porque um funcionário atento reverteu o comando a tempo.
O mesmo acontece quando pensamos em hospitais ou redes de energia, pois quando temos os sistemas de saúde são travados por criminosos digitais, aparelhos médicos param e ambulâncias precisam ser desviadas, colocando vidas em risco pela simples perda de tempo no atendimento.
A grande ironia é que a maioria desses ataques severos não acontece por causa de códigos ultra-avançados dignos de filmes de espionagem. Eles acontecem porque a engenharia do mundo real se digitalizou muito rápido, mas a cultura de segurança não acompanhou esse ritmo. Equipamentos industriais essenciais são instalados e deixados na internet com a senha padrão de fábrica, aquela velha combinação de “admin” ou “123456”.
No Brasil, um dos países que mais sofre tentativas de ataques cibernéticos no mundo, esse debate se torna urgente. À medida que nossas cidades se tornam “inteligentes” e nossos serviços de água, luz e transporte dependem cada vez mais de softwares, a segurança digital passa a ser uma questão de segurança pública.
A separação entre o “mundo virtual” e o “mundo real” simplesmente acabou. Proteger equipamentos de rede, atualizar sistemas e exigir que empresas e governo cuidem da infraestrutura crítica com o mesmo rigor que cuidam de suas finanças não é preciosismo. Cuidar da segurança digital, hoje, é essencial para proteger a nossa própria vida e o bem-estar de quem está ao nosso redor.
Fiquem seguros e sempre informados dos riscos!
Por João Augusto Alexandria de Barros
Diretor de Inteligência do Instituto de Defesa Cibernética
Especialista em Políticas e Estratégias Cibernéticas
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.


