Os três técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes no Hospital Anchieta serão ouvidos na audiência de instrução do caso somente em 8 de junho, no Tribunal do Júri de Taguatinga.
A fase de audiência de instrução que serve exclusivamente para produção de provas começou nesta quarta-feira (27/5) e ouviu oito testemunhas.
A previsão inicial era que a audiência fosse concluída após três dias, na segunda-feira (1º/6). O Tribunal do Júri de Taguatinga vai ouvir 32 testemunhas.
O primeiro dia de audiência contou com atraso. Inicialmente prevista para às 14h, a oitiva iniciou somente às 15h30, horário em que os três técnicos de enfermagem chegaram ao Plenário do Tribunal.
O primeiro dia de audiência foi se encerrar somente na primeira hora da madrugada de quinta-feira (28/5) após todas as testemunhas serem ouvidas. O delegado do caso Maurício Iacozzili foi o primeiro a ser ouvido e deu depoimento de mais de 1h.
Nos dias 29 de maio e 1° de junho também serão ouvidas oito testemunhas em cada dia. Somente no último dia, em 8 de junho, serão ouvidas as oito testemunhas exclusivas de defesa e o interrogatórios dos três acusados.
Acusações


Delegado Maurício Iacozzilli
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto





Os técnico Amanda Rodrigues Sousa, 28 anos, Marcos Vinicius Silva, 24, Marcela Camilly, 22, são acusados de três homicídios e cinco tentativas, ocorridos na UTI do Anchieta, entre novembro e dezembro do ano passado.
Pelo fato de o processo tramitar em segredo de Justiça, os depoimentos serão acompanhados apenas pelas partes e interessados já cadastrados no processo, como os assistentes de acusação.
A fase de audiência de instrução serve exclusivamente para produção de provas e não se trata de um julgamento definitivo.
Os técnicos de enfermagem foram acusados e denunciados pelas mortes de Marcos Moreira, aos 33 anos, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75.
Veja a cronologia do caso:
- Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
- Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.
- Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 injetaram altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
- Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura;
- O Metrópoles obteve imagens dos técnicos de enfermagem injetando substâncias que mataram os três pacientes. Os acusados aumentavam as doses dos remédios em até 10 vezes, tornando-os tóxicos e letais. Em um dos casos, eles chegaram a ministrar desinfetante nas vítimas.


