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Caso Adalberto faz 1 ano sem respostas e com suspeitas sobre seguranças. Veja vídeo


A exatamente um ano, Adalberto Amarílio Júnior, de 35 anos, foi para um evento de motociclismo no Autódromo de Interlagos, na zona sul paulistana, onde passou o dia todo e nunca mais voltou para casa. Três dias depois, o empresário foi encontrado morto, sem calça, sem bota e sem boné, dentro de um buraco aberto em uma obra próxima ao kartódromo.

Desde então, o caso desafia a Polícia Civil, intriga a família e, segundo a diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo, foi atrapalhado pela empresa de segurança responsável pela área onde o corpo foi localizado.

“Ela mais atrapalhou do que ajudou”, afirmou Ivalda, ao comentar a postura da empresa durante a investigação. “Não colaborou. Isso é muito ruim, porque é a vida de uma pessoa.”

Adalberto desapareceu na noite de 30 de maio de 2025, depois de avisar a um amigo que iria embora do evento. O colega estava de moto e seguiu para um lado. O empresário, que havia ido de carro, disse que conhecia um atalho por dentro do autódromo para chegar ao estacionamento. Foi a última cena conhecida dele com vida.

Naquela noite, a esposa tentou contato, mas não teve resposta. Amigos e familiares foram acionados. Um boletim de ocorrência de desaparecimento foi registrado. O carro do empresário foi encontrado no estacionamento e levado para perícia.

Na manhã da terça-feira seguinte, a busca terminou da pior forma possível, durante a qual Adalberto foi encontrado dentro de uma canaleta aberta em uma área de obra.

“Não tinha lesão aparente. O capacete dele com certeza foi jogado depois, porque estava ao contrário”, relembrou Ivalda. “Não tinha como saber o que tinha acontecido até sair o laudo necroscópico, que apontou que ele morreu por asfixia mecânica.”

Sem calça, sem bota e sem resposta

A forma como o corpo foi encontrado afastou, desde o início, a hipótese de um simples acidente. Segundo Ivalda, Adalberto estava sem a calça, sem as botas e sem o boné que usava no evento. Nenhum desses itens foi localizado, mesmo depois de buscas no entorno do autódromo, inclusive com auxílio de cães farejadores.

A polícia trabalha com a possibilidade de que o empresário tenha sido colocado no buraco já inconsciente ou morto. Outra hipótese considerada é a de que ele tenha sido deixado ali no dia seguinte ao desaparecimento e não, necessariamente, na mesma noite em que sumiu.

Para os investigadores, o caminho usado por Adalberto era uma área de acesso proibido, por causa da obra. É nesse ponto que entram os seguranças responsáveis pelo espaço.

“Ninguém viu nada”

Após o corpo ser encontrado, o DHPP passou a ouvir familiares, amigos e funcionários da segurança que trabalhavam no evento. A empresa de segurança, segundo Ivalda, enviou uma relação de profissionais que estariam escalados naquela área. O problema é que a lista, de acordo com a delegada, não estava completa.

“A empresa não quis colaborar, não colaborou até agora, mandou para nós uma relação de funcionários em que faltava um deles, o principal para nós”, disse Ivalda.

Os seguranças passaram a ser chamados para depor e foram questionados se haviam testemunhado uma discussão, uma abordagem, um acidente, uma movimentação incomum ou qualquer coisa envolvendo Adalberto.

A resposta, segundo a diretora do DHPP, foi sempre a mesma. “Ninguém viu nada, ninguém sabe de nada.”

Caso Adalberto faz 1 ano sem respostas e com suspeitas sobre seguranças - destaque galeria

Para preservar eventuais provas, a Polícia Civil pediu mandados de busca e apreensão contra seguranças que estavam no entorno da área onde o empresário desapareceu e foi encontrado morto. Na primeira operação, realizada cerca de 15 a 20 dias após o crime, houve uma prisão em flagrante por porte ilegal de munições, de uso restrito, do segurança e lutador de jiu-jítsu Leandro de Thallis Pinheiro. O caso, porém, passou a ser investigado em outro inquérito, porque Adalberto não morreu por disparo de arma de fogo.

Desde então, o DHPP fez novas buscas e apreensões. Telefones celulares e mídias foram recolhidos. O material segue em análise.

“Agora a gente está aguardando as análises disso, porque a hora que chega a extração, a gente vai ter que sentar e ver o que cruza, quem mentiu e quem falou a verdade”, afirmou Ivalda. “Vai ter que falar com todos eles novamente”, acrescentou.

Depoimentos contraditórios

A investigação também esbarra em versões consideradas contraditórias. Segundo Ivalda, funcionários e ex-funcionários da segurança deram declarações que não batem entre si, ou que mudaram com o avanço das apurações.

“É a primeira declaração que está valendo? Ou a segunda? Ou é a de hoje?”, questionou a delegada.

Para ela, a ausência de imagens no ponto exato onde o corpo foi encontrado tornou o caso ainda mais difícil. A polícia analisou câmeras próximas e o carro de Adalberto, onde havia uma pequena quantidade de sangue ressecado, que não era recente e não pertencia nem ao empresário nem à esposa.

No corpo, porém, não havia marcas compatíveis com luta. Também não foram encontrados vestígios relevantes embaixo das unhas. O laudo apontou asfixia mecânica, indicando que a morte foi provocada por uma pessoa.

Uma das hipóteses investigadas é a de que Adalberto tenha sido abordado ao tentar passar por uma área proibida e que a situação tenha saído de controle. Ivalda citou, como possibilidade, uma contenção física, até mesmo um mata-leão, sem afirmar que foi exatamente isso o que ocorreu.

“A empresa sabe o que aconteceu”

A diretora do DHPP foi cuidadosa ao não atribuir à ESC participação direta na morte de Adalberto. Mas afirmou que, na avaliação da investigação, a empresa sabe mais do que contou. A reportagem não localizou nenhum representante da empresa. O espaço segue aberto para manifestações.

“Não estou falando que a empresa teve participação no que aconteceu com o Adalberto, mas no depois, com certeza”, afirmou Ivalda. “Porque tem supervisor, tem coordenador. Eles falam tudo. Eles falavam tudo no grupo ali.”

Para a delegada, se houve erro de um ou dois seguranças, a postura esperada seria a colaboração integral com a investigação.

“Qual o sentido de acobertar um erro de um, ou de dois? O que foi que aconteceu?”, questionou. “Se tivesse colaborado, a família do Adalberto já estava pelo menos sentindo que fizemos, tentamos fazer o melhor possível, uma justiça. A empresa não foi bacana. Não é ético, não é profissional o que eles estão fazendo com a família.”

“Existe um caminho”

O advogado criminalista Leandro Falavigna, que representa a família de Adalberto, disse que o sentimento dos parentes, um ano depois, mistura tristeza, saudade e esperança de que o crime será solucionado.

Destacou que o inquérito tramita em segredo de Justiça e que não pode detalhar as diligências pendentes. Ainda assim, disse confiar no trabalho do DHPP.

“O que eu posso dizer é que existe um caminho. A gente confia muito na Delegacia de Homicídios. Tenho certeza de que a gente vai conseguir solucionar o crime”, disse.

O advogado afirmou ainda acreditar que houve falha na segurança. “É só ver o resultado. Uma pessoa inocente, que foi até um evento para se divertir, acabou não voltando para casa. Então, fatalmente, houve falha na segurança.”

Falavigna também relatou que a família sofreu com informações falsas e “golpes” durante o período em que Adalberto ainda era procurado. Segundo ele, houve ligações de pessoas dizendo que o empresário havia sido encontrado ferido e que seria necessário depositar dinheiro para que ele fosse levado de volta.

“Não bastasse toda essa dor, tudo aquilo que aconteceu, eles sofreram muito. E ainda sofrem”, afirmou.

Força-tarefa

Ivalda afirma que o DHPP ainda aguarda relatórios técnicos de extração de dados. Assim que esse material estiver pronto, a promessa é montar uma força-tarefa para confrontar depoimentos, cruzar informações e reouvir pessoas.

“Nós ainda não desistimos. Ainda que dê um ano, a gente espera concluir isso o mais rápido possível”, disse a delegada. “Não é o prazo processual, é o nosso prazo de dar uma resposta.”

As respostas que faltam são as mesmas desde a manhã em que o corpo foi retirado do buraco. Quem matou Adalberto, como exatamente isso aconteceu e por que alguém tentou esconder, junto com o corpo, a verdade sobre a última noite do empresário em Interlagos?

“Tem a família, tem a própria sociedade. O cidadão quer saber”, afirmou Ivalda. “A gente vai esclarecer. Com certeza, a gente vai esclarecer.”



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