A aliança entre JHC (PSDB) e Alfredo Gaspar (PL) deu mais um passo nesta semana. O encontro durante um almoço realizado em Anadia, neste domingo, não foi ao acaso. Ao lado de lideranças políticas do interior, os dois reforçaram uma aproximação que já era esperada, mas com um fato inesperado.
O avanço das conversas ocorre sem que JHC tenha assumido qualquer compromisso público de apoiar osenador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Questionado pelo Blog do Edivaldo Júnior se a aliança passaria pelo apoio de JHC ao projeto nacional do PL, Alfredo Gaspar não deu uma resposta direta. Preferiu adiar o anúncio da aliança, já dada com certa.
“Essa semana vamos aprofundar as conversas”, respondeu.
A declaração chama atenção porque, até poucos dias, dirigentes do PL defendiam que alianças estaduais estivessem alinhadas ao projeto nacional da direita. No dia 17 de maio, durante evento ao lado de Carlos Bolsonaro, Gaspar condicionou o apoio a um palanque para Flávio Bolsonaro.
“Eu conversei com o JHC e vai depender exclusivamente da postura presidencial em relação ao palanque do governo. Se o JHC tiver o entendimento que nós possamos marchar juntos com os princípios que defendemos, teremos essa união. Se não, paciência, cada um vai seguir o seu caminho.”, disse ele.
Do lado de JHC, a resposta foi ainda mais clara. “Os acordos políticos restringem-se às fronteiras do Estado de Alagoas. JHC é arredio a imposições. Quem pensar em fazer parceria política com ele esqueça qualquer tipo de imposição”, afirmou Júnior Leão Novo.
Na prática, a mensagem é simples: a construção da aliança passa primeiro por Alagoas.
As redes sociais também ajudam a mostrar o estágio das conversas. A senadora Eudócia Caldas publicou foto ao lado de JHC e Gaspar e falou em união, movimento interpretado por aliados como mais um sinal de que o entendimento está avançando.
Nos bastidores, crescem as especulações sobre o papel que Eudócia poderá desempenhar na composição de 2026. Há quem aponte uma candidatura ao Senado. Outros avaliam a possibilidade de uma suplência em eventual chapa encabeçada por Gaspar.
Até poucos dias atrás, a avaliação predominante era de que JHC precisava do PL para fortalecer sua candidatura ao governo. Depois de Anadia, a impressão é diferente: Gaspar também precisa de JHC.
O deputado federal é competitivo para o Senado, mas precisa de um palanque forte para enfrentar adversários como Renan Calheiros, Arthur Lira e Davi Davino Filho. JHC, por sua vez, precisa de um nome com densidade eleitoral, perfil de direita e capacidade de agregar votos na capital e no interior.
Os dois se complementam.
Ao que tudo indica, a chapa JHC-Gaspar está mais próxima hoje do que estava há uma semana. O restante — Bolsonaro, Arthur Lira, Eudócia e a composição final da chapa — continua em aberto.
Mas essa já é outra história.

