CRIME EM 2024
Júri reconheceu tentativa de feminicídio qualificada por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima
O Tribunal do Júri de Jacarezinho, no Norte do Paraná, condenou Marlon Ferreira Lemes a 23 anos e três meses de prisão em regime fechado por planejar um ataque com soda cáustica contra a ex-namorada, Isabelly Aparecida Ferreira Moro. A sentença foi proferida na noite desta terça-feira (9), após dois dias de julgamento.
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Os jurados reconheceram que Marlon cometeu tentativa de feminicídio e acolheram as qualificadoras apresentadas pela acusação: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Além da pena de prisão, o condenado deverá pagar indenização de R$ 50 mil por danos morais a Isabelly.
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De acordo com o processo, o ataque ocorreu em maio de 2024 e teria sido motivado pelo inconformismo de Marlon com o fim do relacionamento. Segundo as investigações, o objetivo era atingir a aparência da vítima utilizando soda cáustica, substância altamente corrosiva e capaz de provocar graves lesões físicas.
Durante o julgamento, iniciado na manhã de segunda-feira (8), foram ouvidas testemunhas, a própria vítima, representantes da acusação e das defesas. O Conselho de Sentença entendeu que o crime foi praticado com recurso que dificultou a defesa de Isabelly, já que ela foi surpreendida pela executora do ataque, que utilizava um disfarce para evitar ser reconhecida.
Os jurados também consideraram a existência de motivo torpe, atribuído ao sentimento de posse e vingança de Marlon após o término da relação. Em relação à segunda acusada, Débora Aparecida Custódio Ferreira, apontada como responsável por executar o ataque, o entendimento foi de que ela agiu movida por ciúmes e inveja da vítima.
A qualificadora de meio cruel foi mantida em razão do uso da soda cáustica, descrita pela acusação como um produto químico altamente tóxico e corrosivo, empregado para causar intenso sofrimento físico à vítima.
Marlon Ferreira Lemes permanece preso na Penitenciária Estadual de Londrina. Até a publicação desta reportagem, a defesa do condenado não havia se manifestado sobre a sentença.
Já o julgamento de Débora Aparecida Custódio Ferreira foi interrompido após a defesa abandonar o plenário do Tribunal do Júri na tarde de terça-feira. Os advogados alegaram que o processo não estava sendo conduzido de forma justa para a acusada. Diante da situação, o julgamento foi suspenso e uma nova data deverá ser marcada pela Justiça.
O caso ganhou repercussão pela gravidade do ataque e pelas circunstâncias que envolveram o planejamento da ação, considerada pelo Ministério Público como uma tentativa de feminicídio motivada por vingança e controle sobre a vida da vítima.



