AGENTE DE POLÍCIA PRESO
Investigação reuniu perícias, depoimentos e análise de celulares, descartou premeditação e uso de drogas
A investigação da Polícia Civil de Alagoas (PCAL) sobre a morte dos agentes Denivaldo e Iago, ocorrida em 20 de maio, no município de Delmiro Gouveia, no Sertão do Estado, chegou a uma conclusão técnica sobre a dinâmica do crime, mas ainda deixou uma pergunta sem resposta: por que os disparos foram feitos dentro da viatura onde estavam os três policiais?
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O inquérito foi concluído após quase um mês de apurações e apresentado nessa quarta-feira (17), pela comissão formada pelos delegados Sidney Tenório, Flávio Dutra e Leandro Martins. O policial civil Gildate foi indiciado por duplo homicídio qualificado, com base nas provas reunidas ao longo da investigação.
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Apesar da definição sobre a autoria, os investigadores afirmam que a motivação do crime não foi identificada. Segundo a Polícia Civil, o caso foi reconstruído a partir de uma série de provas técnicas, depoimentos e análises periciais.
As investigações apontam que os três policiais haviam participado de uma diligência oficial na cidade de Piranhas e, após o cumprimento da missão, seguiram juntos para uma choperia.
Depoimentos de funcionários do estabelecimento indicam que o grupo chegou por volta das 18h e permaneceu no local até cerca de 0h30, em clima de descontração.
De acordo com as testemunhas, não houve discussão, desentendimentos ou qualquer sinal de conflito entre os envolvidos.
A apuração também confirmou o consumo de bebida alcoólica ao longo de várias horas. Os policiais teriam ingerido diferentes tipos de chope artesanal, incluindo uma bebida de maior teor alcoólico, com registros de aproximadamente nove rodadas.
PERÍCIAS
A Polícia Científica confirmou que os estojos encontrados na cena do crime foram deflagrados pela arma funcional do investigado. Os projéteis retirados dos corpos das vítimas também são compatíveis com o mesmo armamento.
Além disso, uma munição intacta foi localizada na arma, o que reforçou a conclusão técnica de que os disparos partiram do policial indiciado.
Ao todo, 18 pessoas foram ouvidas durante o inquérito, incluindo testemunhas oculares que relataram ter ouvido dois disparos em sequência dentro da viatura.
Segundo esses relatos, após os tiros, o autor deixou o veículo ainda com a arma em mãos e caminhou sem direção definida.
“Os exames toxicológicos realizados nos três envolvidos não apontaram presença de drogas ilícitas ou medicamentos controlados. No entanto, as vítimas apresentavam altos índices de álcool no sangue, enquanto o exame do investigado deu negativo — o que se explica pelo tempo decorrido entre o crime e a coleta”, relatou o delegado Flávio Dutra.
A investigação também realizou a perícia dos celulares dos policiais, mas não encontrou mensagens, ameaças, desentendimentos ou qualquer elemento que indicasse planejamento prévio.
Para os delegados, esse conjunto de provas afastou a hipótese de premeditação.
O QUE AINDA NÃO FOI EXPLICADO
Apesar do avanço técnico da investigação, a motivação do crime permanece sem resposta. “Não foram encontrados indícios de conflitos anteriores entre o investigado e as vítimas. Também não houve registro de ameaças, perseguições ou qualquer situação que justificasse uma ação planejada”, reforçou o delegado Flávio durante a coletiva de imprensa.
A versão apresentada pelo policial desde o início do caso se manteve inalterada: ele afirma não se recordar do que aconteceu dentro da viatura.
Ainda durante a coletiva, os investigadores reforçaram que apenas o próprio acusado poderia esclarecer o que ocorreu nos instantes que antecederam os disparos.
PRÓXIMOS PASSOS
Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que irão avaliar o oferecimento de denúncia e a abertura da ação penal.
Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Civil instaurará procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta do policial e avaliar sua permanência na instituição.
O caso também será analisado pelo Conselho Superior da Polícia Civil, que pode decidir pela expulsão do servidor.


