A distribuição gratuita de sensores de monitoramento contínuo da glicose para 1.584 crianças de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1 teve início neste mês na cidade de São Paulo. A iniciativa beneficia pacientes acompanhados pelo Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) da rede municipal de saúde e representa um avanço no cuidado e no controle da doença, ao permitir o acompanhamento dos níveis de glicose em tempo real, com mais conforto e segurança para crianças e famílias.
O sensor custa cerca de R$ 770 por mês para cada paciente e o fornecimento será contínuo. A reposição dos sensores ficará sob responsabilidade da Unidade Básica de Saúde que acompanha a criança.
Entre as famílias beneficiadas está a dona de casa Roseli Alves dos Santos, de 47 anos, mãe de Pedro Felipe Alves dos Santos, de 11. Diagnosticado com diabetes aos 4 anos, Pedro precisava medir a glicemia entre cinco e oito vezes por dia por meio das tradicionais picadas nos dedos.
“Agora a vida vai mudar para melhor. Como ele vai fazer o monitoramento pelo sensor, evita a picada no dedo, que às vezes ele reclamava, sentia dor e chorava”, contou Roseli.
Desempregada, ela afirma que não teria condições de arcar com o custo da tecnologia. “Eu não conseguiria pagar porque é um valor muito alto. Então, para mim, foi tudo de bom. Vai mudar o hábito dele.”
Pedro aprovou a novidade. “Só faz uma cosquinha para colocar, mas não dói. É muito melhor que as picadas. Eu ficava irritado porque doía, então gostei muito do sensor.”

Todos os pacientes de 2 a 12 anos cadastrados no Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) serão contemplados pela iniciativa.
Os sensores fazem o monitoramento contínuo dos níveis de glicose e permitem acompanhamento mais frequente da condição clínica da criança, ampliando a segurança.
Para crianças de 2 a 9 anos, o sensor será acompanhado de um leitor dedicado, aparelho utilizado para consultar as informações registradas pelo dispositivo.
Já para a faixa de 10 a 12 anos, os dados poderão ser acessados por meio de aplicativo em smartphone, com recursos como visualização em tempo real dos níveis de glicose, alertas e compartilhamento das informações com os responsáveis.
A recomendação técnica é que os sensores sejam substituídos a cada 15 dias.
Para garantir a implantação da nova tecnologia, a Prefeitura de São Paulo capacitou 511 profissionais das cinco Coordenadorias Regionais de Saúde da cidade.

A rotina também deve mudar para Ana Laura Ferreira Rocha, de 9 anos. Diagnosticada aos 5, ela precisava fazer entre cinco e seis medições diárias. “Era ruim porque doía e me deixava estressada. Agora vai melhorar, vai ser mais fácil e não doeu para colocar.”
O pai, o motorista Diego Rocha, 38, destacou que o custo do equipamento era inacessível para a família. “Não conseguiria arcar com o sensor. Já tentei, mas o orçamento não cabe no nosso bolso. Por isso foi muito importante a ajuda da prefeitura.”
Segundo Diego, a filha já precisou ser internada duas vezes em razão da doença. “A primeira vez foi quando descobrimos a diabetes. Ela ficou quase um mês internada. Depois teve outra internação por alteração da glicemia. Agora o monitoramento vai ficar muito mais fácil.”
Para Henrique Santos de Jesus, pai do pequeno Murilo, de 4 anos, o benefício representa uma mudança profunda na rotina familiar. Murilo foi diagnosticado ainda bebê com glicogenose tipo 1B, doença rara que provoca episódios graves de hipoglicemia.
“No começo, a gente fazia a aferição no dedo dele e ele chorava muito. Esse sensor vai trazer uma outra qualidade de vida para ele e para a nossa família. Ele já teve mais de 20 internações. Para a gente, só o fato de a prefeitura estar ajudando já significa muito”, ressaltou.


