O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se encontrará nesta quinta-feira (16) com o médico Julio César Acosta Navarro, 59, pai do estudante de medicina Marco Aurélio Cárdenas Acosta, 22, morto por um policial militar em novembro do ano passado.
A reunião foi marcada a pedido dos familiares da vítima.
Em uma entrevista coletiva na casa da família no dia 8 de janeiro, Julio Cesar e Silvia Mónica Cárdenas Prado, 55, mãe do jovem, criticaram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário da Segurança Pública paulista, Guilherme Derrite, pelo que consideravam uma falta de controle da Polícia Militar.
“Eu quero justiça, eu quero desse miserável do Tarcísio ao menos um pedido de desculpas”, disse Silvia.
Na segunda-feira (13), Tarcísio afirmou entender as críticas.
“Acho que no lugar deles eu estaria procedendo da mesma forma. Existe um desejo de ver justiça, eu acho que essa justiça tem que acontecer e vai acontecer, porque os responsáveis serão apresentados à Justiça, irão a julgamento”, disse, durante entrevista no aeroporto de Guarulhos.
O governador ainda não procurou diretamente os pais da jovem.
A Justiça negou na terça-feira (14) o pedido de prisão do policial militar Guilherme Augusto Macedo, responsável por disparar o tiro que matou Marco Aurélio.
Em decisão na segunda-feira (13), no entanto, a juíza Luciana Menezes Scorza aceitou a denúncia contra ele e o PM Bruno Carvalho do Prado, também envolvido na ação. Com isso, ambos viraram réus por homicídio doloso. Por se tratar de crime contra a vida, o caso será julgado no Tribunal do Júri.
As imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes mostram que eles seguiram o estudante após ele dar um tapa no retrovisor de uma viatura na avenida Conselheiro Rodrigues Alves, na Vila Mariana, zona sul da capital.
Marco Aurélio, que estava sem camiseta, de calça jeans e chinelos, foi perseguido até o hotel onde estava hospedado com uma garota. Ele foi morto com um tiro na barriga quando estava encurralado em um portão. As imagens mostram o jovem desarmado e sem oferecer resistência. Mesmo baleado, ele foi ameaçado outras vezes pelo policial.
com IVAN FINOTTI (Interino), KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e MANOELLA SMITH
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