GIRAU DO PONCIANO
Quadrilha de Atalaia levou ao tablado uma mensagem de fé, sensibilidade e valorização das pessoas com deficiência visual
“Os olhos”. Um tema curto, mas cheio de significado, que levou nesta quinta-feira (25) ao Ginásio de Esportes Djalma Nunes Santos, em Girau do Ponciano, uma reflexão sobre a deficiência visual.
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É assim que a Sanfona do Rei, de Atalaia, levou ao público presente no Forró & Folia um espetáculo cheio de simbologia: Santa Luzia, que é considerada a protetora dos olhos pela Igreja Católica; o pássaro assum-preto, cuja crença popular diz que criadores furam seus olhos para que ele cante melhor; e o homenageado da noite: Edmilson Mendes, o Ceguinho do Centro, que nasceu no dia 13 de janeiro, um mês depois da data em que se celebra Santa Luzia, 13 de dezembro, também considerado o Dia do Cego.
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A quadrilha contou a história de Edmilson desde o seu nascimento, no interior de Pernambuco, até sua chegada a Alagoas, aos 10 anos de idade. Foi abordada ainda sua vida adulta em Maceió, onde ficou conhecido por seu talento com o pandeiro no calçadão do comércio da capital alagoana.
Durante a exposição teatral da narrativa, uma criança protagonizou o personagem quando pequeno. Na fase adulta, o próprio Edmilson entrou na dança, com seu famoso pandeiro nas mãos, emocionando a torcida presente nas arquibancadas.
Aos 62 anos, Edmilson conta que essa foi a primeira vez que participou de uma quadrilha e até mesmo de um evento junino. Ele disse que foi “uma honra” receber o convite da Sanfona do Rei, a ponto de, inicialmente, não acreditar que a homenagem era verdadeira, quando o projetista esteve em sua casa, em um sábado, para contar a novidade.
“Agradeço primeiro a Deus. Eu fico muito feliz. Espero participar mais vezes, porque foi emocionante”, externou ele, afirmando que saber da homenagem foi uma surpresa.
Sobre o tema da quadrilha, “Os olhos”, que retrata a experiência de quem não pode enxergar, ele é categórico: “Não vejo com os olhos, mas vejo com o coração e, por isso, eu sou muito feliz”, afirmou.
Para a organização do evento, a temática mostra as dificuldades enfrentadas por Edmilson, que representa no espetáculo a força e a superação das pessoas com deficiência visual.
A Sanfona do Rei tem dez anos de trajetória e nasceu por meio de um grupo de amigos que dançava na antiga quadrilha Asa Branca, de Atalaia.
Forró & Folia
A 26ª edição do Forró & Folia começou na segunda-feira (22), em Maceió, com a apresentação de cinco quadrilhas juninas alagoanas, que levaram muito brilho, dança, ritmo, figurinos e muito forró. O palco foi o Parque da Pecuária, localizado no bairro do Trapiche, em Maceió. O evento é uma iniciativa da Organização Arnon de Mello (OAM).
A novidade deste ano é a ampliação do festival para o interior de Alagoas, que acontece hoje em Girau do Ponciano. A grande final em Maceió acontecerá nesta sexta-feira (26) e será composta pelas cinco quadrilhas com melhores classificações entre as apresentações de segunda e terça-feira.
Nesta edição, 26 quadrilhas apresentam seus talentos, misturando cultura, alegria e muita tradição. No Parque da Pecuária, 13 quadrilhas integram o espetáculo.
Já em Girau do Ponciano, apresentam-se quatro quadrilhas classificadas durante as etapas da Liqal, realizadas neste mês de junho. Elas representam todas as regiões do estado de Alagoas.
O Forró & Folia conta com a parceria da Liqal e da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), apoio da Origem Energia, Braskem, Rommanel, MRV e Equatorial, além do apoio cultural do Governo de Alagoas e da Assembleia Legislativa.



