ETAPA MACEIÓ
Quadrilha reuniu dança, teatro e simbolismo para destacar a importância da liberdade de crença e do respeito à diversidade
A Fazendinha apresentou um espetáculo focado nas religiões Católica e de Matriz Africana para abordar um tema atual e preocupante: a intolerância religiosa. A quadrilha destacou a importância de respeitar a diversidade religiosa com o tema “Maria, Onde Floresce a Resistência”, tendo como principais personagens as Marias de Fé e de Luz. A quadrilha do Tabuleiro do Martins é uma das cinco finalistas do Forró & Folia, que se apresentam nesta sexta-feira (26), no Parque da Pecuária, no bairro do Trapiche.
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Júnior Calheiros é coreógrafo, noivo e presidente da A Fazendinha. Tendo trabalhado também como dançarino de bandas, ele levou a experiência da musicalidade para compor as coreografias em sincronia com o tema apresentado no tablado.
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“Quando surgiu o tema ‘Maria, Onde Floresce a Resistência’, a gente sabia que tinha que ter muito cuidado, porque é um tema que mexe muito com as pessoas. A gente quis trazer um tema social, porque hoje o preconceito está girando, não só em relação à intolerância religiosa, como também em relação à homossexualidade e ao racismo”, relatou o coreógrafo.
Se os jurados consideram que uma quadrilha deve apresentar, no mínimo, três coreografias, a Fazendinha apresentou ao público 11 estilos de dança, divididos em duas partes: aquelas dançadas durante a narrativa e aquelas embaladas durante o arraial após o casamento.
Foram 22 minutos tomados pela dança ao som de ritmos como baião, arrasta-pé e música de matriz africana, mais 7 minutos de dramatização intercalados com músicas.
No enredo, nascem Maria de Fé e Maria de Luz. Desde a infância, as duas compartilham sonhos e a certeza de que o amor e o respeito podem florescer, mesmo diante das diferenças.
Uma encontra abrigo nas tradições católicas; a outra eleva sua caminhada na ancestralidade da religiosidade de matriz africana. Caminhos distintos, mas que compartilham a mesma essência: a liberdade de acreditar.
Compõe o enredo o personagem José, companheiro inseparável das duas Marias.
O ponto alto do espetáculo foi a entrada da Rainha, embalada pela música “Povo de Santo”, que foi trazida pela equipe da A Fazendinha de outra quadrilha natural da Paraíba.
A Rainha se apresenta como integrante de uma religião de matriz africana, enquanto a noiva é católica. “A gente quer quebrar tabus. A gente quer quebrar preconceitos, e é isso que a gente vem fazendo em 2026”, afirmou Júnior Calheiros.
Ao todo, a quadrilha A Fazendinha tem 78 integrantes, entre dançarinos, equipe de produção e figurinistas. Seus membros vêm de várias partes de Maceió, como Ponta da Terra, Santos Dumont, Santa Lúcia e Benedito Bentes.
A quadrilha foi criada em 2017 e se apresentou pela primeira vez em 2018, quando venceu o grupo de acesso e passou a integrar o grupo especial, onde permanece até hoje.
No ano passado, ela apresentou um tema sobre o câncer de mama.
Forró & Folia
A 26ª edição do Forró & Folia começou na segunda-feira (22), em Maceió, no Parque da Pecuária, localizado no bairro do Trapiche. O evento é uma iniciativa da Organização Arnon de Mello (OAM).
A novidade deste ano foi a ampliação do festival para o interior de Alagoas, que aconteceu em Girau do Ponciano. A campeã do interior foi a Sanfona do Rei, que fez uma homenagem a seu Edmilson, conhecido como “Ceguinho do Centro”.
A grande final em Maceió acontece nesta sexta-feira (26), composta pelas cinco quadrilhas com melhores classificações. São elas: Santa Fé, Dona Dadá, Amanhecer do Sertão, A Fazendinha e Luar do Sertão.
Nesta edição, 26 quadrilhas apresentaram seus talentos, misturando cultura, alegria e muita tradição.
O Forró & Folia conta com a parceria da Liqal e da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), apoio da Origem Energia, Braskem, Rommanel, MRV e Equatorial, além do apoio cultural do Governo de Alagoas e da Assembleia Legislativa.




