ETAPA MACEIÓ
Espetáculo relembrou o período em que a canção de Luiz Gonzaga foi silenciada e emocionou o público com forte carga simbólica
Sertão em meio à seca prolongada. Sertão em meio à abundância, abençoado pelas chuvas. Entre um Sertão e outro, está Luiz Gonzaga. E, com Luiz Gonzaga, o “Hino do Nordeste”, como ficou conhecida sua imortal canção “Asa Branca”. Em meio à trajetória da música, também surge a censura imposta pelo regime militar. Foi em quatro atos que a quadrilha Luar do Sertão homenageou os 80 anos da obra de Luiz Gonzaga com o tema “A Menina dos Olhos do Rei”.
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O espetáculo foi levado aos jurados e à torcida que, mesmo já sendo uma hora da madrugada deste sábado (27), entoava coro ao som de batuques nas arquibancadas, à espera da entrada da Luar do Sertão no tablado.
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Mais de 10 coreografias abrilhantaram o espetáculo. As músicas de Luiz Gonzaga dominaram a apresentação, mas outras canções de diferentes artistas também incrementaram a performance. Em meio aos dançarinos, a figura de Luiz Gonzaga carregando a sua sanfona.
No primeiro ato, a dramatização girou em torno da seca do Sertão. O ápice da apresentação ocorreu no segundo ato, quando a Luar do Sertão abordou a censura imposta à canção “Asa Branca”, momento em que ela foi impedida de tocar nas rádios de todo o Brasil.
Nesse momento, a noiva entrou no tablado representando a própria canção. Ela estava vestida de branco — costume típico da personagem nas quadrilhas —, mas também trazia consigo asas da mesma cor. Nesse instante, a noiva foi erguida pela cenografia da quadrilha e, atrás dela, um mapa do Nordeste caracterizou o ambiente.
Assim, no momento de maior simbolismo do espetáculo, a noiva teve as asas e parte da roupa arrancadas, simbolizando o silenciamento da personagem que representa a própria canção “Asa Branca”.
No terceiro ato, a Luar do Sertão apresentou o Sertão em abundância, com a chegada da chuva. No quarto ato, a quadrilha encerrou a apresentação da forma mais tradicional, com o arraial, encerrando a ditadura e celebrando o nascimento da Luar do Sertão, que completa 40 anos em 2026. Em seguida, há a despedida de Luiz Gonzaga.
No repertório de 14 canções, a quadrilha incluiu também músicas do filho de Luiz Gonzaga, Gonzaguinha.
O marcador da Luar do Sertão, Emanuel Lima, que também se transforma no personagem da letra da música, chegou ao tablado com um figurino carregado de referências à memória de Luiz Gonzaga: presos às roupas, estavam representações dos escritos e anotações de Gonzaga durante o processo de criação da música “Asa Branca”.
“A gente passou por um processo de construção da história da música, para escrever, roteirizar, pesquisar repertório. Tudo levou a um processo de estudo que durou meses. A gente adquiriu livros para estudar melhor a história da música em si, não só a de Gonzaga. Então, a gente teve que compreender o que ele quis retratar com essa música”, explicou o marcador.
A representação da ditadura também foi um dos pontos altos da atuação do marcador. Enquanto personagem da letra da música, ele também foi censurado. A noiva ficou presa à bandeira do Nordeste, enquanto o marcador teve a boca vendada, sem poder continuar a falar.
“Acho que foi um momento muito forte, de muito impacto e muito bonito também. Foi uma cena muito diferente, ousada, mas de bastante impacto”, considerou ele.
Nascida na Rua Xavier de Brito, no bairro do Prado, a Luar do Sertão começou como um arraial de rua. A evolução das quadrilhas estilizadas impôs à equipe a necessidade de se adaptar aos novos tempos e, atualmente, ela é a quadrilha mais premiada de Alagoas em festivais não só do estado, mas também do Nordeste e do Brasil.
Para o diretor de marketing da Luar do Sertão, Eduardo Ferreira, apresentar-se no Forró & Folia no ano em que a equipe completa 40 anos, levando o tema da música “Asa Branca” em seu 80º aniversário, é um momento de celebração.
Atualmente, a quadrilha Luar do Sertão conta com 142 pessoas, entre dançarinos, figurinistas, equipe de produção e demais setores que garantem as apresentações durante todo o mês de junho.
Forró & Folia
A 26ª edição do Forró & Folia começou na segunda-feira (22), em Maceió, no Parque da Pecuária, localizado no bairro do Trapiche. O evento é uma iniciativa da Organização Arnon de Mello (OAM).
A novidade deste ano foi a ampliação do festival para o interior de Alagoas, que aconteceu em Girau do Ponciano. A campeã do interior foi a Sanfona do Rei, que fez uma homenagem a seu Edmilson, conhecido como “Ceguinho do Centro”.
A grande final em Maceió aconteceu nesta sexta-feira (26), composta pelas cinco quadrilhas com melhores classificações. São elas: Santa Fé, Dona Dadá, Amanhecer do Sertão, A Fazendinha e Luar do Sertão.
Nesta edição, 26 quadrilhas apresentaram seus talentos, misturando cultura, alegria e muita tradição.
O Forró & Folia conta com a parceria da Liqal e da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), apoio da Origem Energia, Braskem, Rommanel, MRV e Equatorial, além do apoio cultural do Governo de Alagoas e da Assembleia Legislativa.



