A classificação do CSA para a terceira fase da Série D foi construída muito antes do apito final. Ela começou nas escolhas dos treinadores.
Moacir Júnior abriu mão do centroavante Lucas Lima e promoveu a entrada de Matheus Melo. Do outro lado, Douglas Santos retirou o meia Danielzinho e reforçou o meio-campo com o volante Maxsuel. As alterações deixavam claro o roteiro esperado: o CSA assumiria o controle da partida, enquanto o Lagarto tentaria sobreviver defensivamente.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Desde os primeiros minutos, o Azulão imprimiu uma intensidade altíssima, pressionando a saída de bola, recuperando rapidamente a posse e ocupando o campo ofensivo. Faltava apenas transformar volume em gols. A ansiedade nas conclusões atrasou esse momento.
Rian Santana, Fabrício“Bigode” e Matheus Melo eram os principais responsáveis pela criação. O próprio Matheus Melo desperdiçou uma oportunidade praticamente dentro da pequena área e, pouco depois, obrigou Matheus Brandão a fazer uma excelente defesa. Enquanto isso, Yago Oliveira assistia ao jogo praticamente como espectador. O domínio territorial do CSA era absoluto.
O intervalo não trouxe mudanças nas equipes, mas trouxe o prêmio para quem insistiu naquilo que fez durante toda a partida.
Aos 55 minutos, Rian Santana roubou a bola ainda no campo de ataque, levantou a cabeça e encontrou Matheus Melo atacando a profundidade. Na indecisão entre o zagueiro Davi e o goleiro Matheus Brandão, o meia foi mais rápido, desviou de Carrinho e fez o Rei Pelé explodir.
Mesmo em vantagem, Moacir Júnior não recuou o time. Pelo contrário. Pediu ainda mais pressão.
A recompensa veio nove minutos depois. Em uma bela troca de passes, Camacho invadiu a área e deu sua quarta assistência na temporada para Rian Santana marcar o segundo gol e praticamente decidir a classificação.
Se a atuação já era grande, os números de Rian ajudam a dimensionar sua temporada. São 16 gols no ano, 10 deles na Série D, além de sete assistências. Ao todo, já participou diretamente de 23 gols do CSA em 2026, liderando o elenco nos três fundamentos.
Depois do segundo gol, o Lagarto finalmente precisou sair para o jogo. Yago Oliveira apareceu pela primeira vez com uma grande defesa, mostrando segurança quando foi exigido. O CSA ainda desperdiçou oportunidades para ampliar, novamente com Matheus Melo, mas o placar de 2 a 0 já traduzia fielmente o que foi a partida.
Mais importante que a classificação foi a forma como ela aconteceu.
O CSA venceu jogando como seu treinador acredita que deve jogar: pressão alta, recuperação rápida da bola, intensidade e coragem para continuar atacando mesmo depois de abrir o placar.
Agora o desafio atende pelo nome de Betim. A dificuldade aumenta, naturalmente. Mas o Azulão chega ao mata-mata carregando algo que vale tanto quanto o resultado: confiança e uma identidade cada vez mais consolidada. Isso, em competições eliminatórias, costuma fazer muita diferença.




