O major reformado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Nelimar Nunes de Souza, expulso definitivamente da corporação nesta quarta-feira (1º/7), era apontado como líder do grupo que cobrava propina de motoristas de transporte clandestino nas regiões do Paranoá e do Itapoã em troca de proteção policial.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), ele coordenava outros quatro policiais militares e recrutou um grupo de civis para arrecadar os valores pagos pelos chamados “loteiros”. Integravam o núcleo policial os sargentos Ricardo Wagner Borges Caland, Fernando Nonato da Silva e Valdemir Quirino dos Santos, além do soldado Leandro Gomes da Silva.
Já o núcleo operacional era formado por Luiz Marcos Rodrigues Saúde, Evandro Nascimento da Silva, Gilmar Braga Damasceno, Mário Pereira Neves, Mauro Edson Alves da Silva, Ronaldo Ferreira da Silva e por dois homens identificados apenas como Fábio e Lívio. Eles atuavam como intermediários entre os policiais e os motoristas recolhendo cerca de R$ 150 por semana por veículo.
Quem efetuava os pagamentos podia circular sem sofrer abordagens da Polícia Militar. Já os motoristas que se recusavam a pagar eram alvo de fiscalizações frequentes, multas e até retenção de documentos. No total, o grupo arrecadava aproximadamente R$ 30 mil por mês.
Prisões, condenações e expulsões
Os cinco policiais militares foram presos em setembro de 2018, durante a operação que desarticulou o grupo.
Na esfera administrativa, o soldado Leandro Gomes da Silva e os sargentos Fernando Nonato da Silva, Ricardo Wagner Borges Caland e Valdemir Quirino dos Santos foram expulsos da PMDF ainda em 2018.
Nelimar, entretanto, permaneceu vinculado à corporação porque aguardava o julgamento da representação que analisava sua permanência no oficialato. Em 2025, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação dos cinco policiais envolvidos.
A situação do major foi definida apenas nesta quarta-feira (1º/7), com a publicação, no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), do decreto assinado pela governadora Celina Leão (PL), que oficializou sua exclusão definitiva da PMDF.
A medida cumpre decisão do TJDFT que declarou Nelimar “indigno para o oficialato”. Com isso, ele perde o posto, a patente, todos os vínculos funcionais com a corporação e também os direitos decorrentes da reserva remunerada.



