Fazer pesquisa eleitoral em Alagoas virou negócio de risco. O instituto registra, vai a campo, tabula, prepara a divulgação e, quando pensa que vai mostrar os números, aparece uma ação.
“Falpe, Veritá, Vox Brasil, TDL, Real Time Big Data… a lista já está ficando maior que muito ranking de intenção de voto.”
Foi pesquisa, pedem para derrubar. Os isntitutos enfrentaram questionamentos, suspensões ou denúncias na Justiça Eleitoral. Em alguns casos, há dúvidas metodológicas relevantes. Em outros, a explicação parece menos simples.
A bola da vez é a Real Time Big Data.
A pesquisa acabou suspensa pela Justiça Eleitoral a pedido da Federação PSDB-Cidadania. O motivo foi a ausência do nome da senadora Eudócia Caldas no cenário estimulado para o Senado.
Pode isso, Arnaldo? A Justiça entendeu que a ausência de Eudócia poderia distorcer o cenário eleitoral. Mas o caso tem um detalhe curioso: há uma semana, a própria senadora disse que ainda era cedo para afirmar se seria candidata à reeleição.
Ou seja: nem ela havia confirmado que disputaria. Ainda assim, a ausência do seu nome virou motivo para suspender a divulgação da pesquisa.
Tudo bem. O partido tem direito de questionar. A Justiça tem o dever de analisar. Pesquisa eleitoral precisa cumprir regras, ter metodologia clara e apresentar cenários tecnicamente defensáveis.
Mas fica a pergunta: se o problema estava no cenário do Senado, por que impedir também a divulgação dos resultados para presidente e governador?
No meio político, os números circularam. Quem acompanha bastidor recebeu, viu, comentou e analisou. A pesquisa chegou aos grupos, às assessorias, aos candidatos, aos jornalsietas. Só não chegou a quem deveria. E quem perde com isso é o leitor. É o eleitor.
A sucessão de suspensões cria um ambiente de desinformação. O cidadão deixa de saber se a pesquisa tinha um problema técnico real, se virou alvo de estratégia política ou se as duas coisas aconteceram ao mesmo tempo.
Pesquisa eleitoral não é sentença. É fotografia do momento. Pode incomodar, pode ser questionada, pode ter erro e pode ser superada pela realidade da campanha.
Mas esconder fotografia não muda o cenário. Só reduz a transparência.




