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Parentes relatam agravamento do estado de saúde enquanto aguardam vagas em hospitais especializados
Familiares de pacientes internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche, em Maceió, denunciam a demora na transferência para hospitais especializados e afirmam temer o agravamento do estado de saúde de seus parentes enquanto aguardam vagas por meio da Central de Regulação.
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Um dos casos é o de Manoel da Silva Viana, de 90 anos, pai de Selma Viana. Segundo a filha, o idoso vive um drama desde o dia 24 de junho, quando foi levado à UPA após apresentar dormência no braço direito e perda de força.
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Inicialmente, Manoel foi medicado e recebeu alta. No entanto, diante da persistência dos sintomas, a família procurou um médico particular, que solicitou uma ressonância magnética.
“Até então a gente não sabia que era um AVC. Eles solicitaram uma tomografia, que foi feita no dia seguinte. Medicaram meu pai e mandaram para casa. Procurei um médico particular, que pediu uma ressonância para confirmar o diagnóstico”, contou Selma.
Segundo a família, o exame confirmou que o idoso sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico e apresentava pontos de sangramento, com risco de evolução para um AVC hemorrágico.
Desde a última sexta-feira (3), Manoel voltou a ser internado na área vermelha da UPA e aguarda transferência para uma unidade hospitalar.
“Eles disseram que fariam a regulação, mas até hoje estou esperando. Informam que não há vagas porque os hospitais estão superlotados. A situação dele está se agravando. A UPA não tem monitor para todos os pacientes. Eles retiram de um para colocar em outro. Hoje pela manhã cheguei e meu pai estava sem monitor. Do jeito que ele está, eu consigo cuidar dele em casa”, desabafou a filha.
Jovem aguarda cirurgia
Outro paciente que também aguarda transferência é Vinícius, de 26 anos, filho de Rosângela Ribeiro.
Segundo a mãe, ele deu entrada na unidade com uma forte inflamação na garganta. Após exames, foi diagnosticado com um abscesso que precisa ser drenado por meio de um procedimento cirúrgico, indisponível na UPA.
Desde a sexta-feira (3), Vinícius permanece regulado e internado na área amarela da unidade, aguardando uma vaga hospitalar.
“Ele está numa cadeira. Não consegue beber água nem se alimentar. Para trocar um soro passam mais de 12 horas. Está sem hidratação adequada. Falta medicação para vômito e estavam pedindo materiais emprestados de outra UPA para atender os pacientes. Não servem café da manhã nem para os pacientes, nem para os acompanhantes, apenas almoço e jantar. Isso aqui deveria ser uma unidade de permanência de 24 horas, mas virou um depósito de pessoas. Estou vendo meu filho piorar sem poder fazer nada. Ele pode desenvolver uma sepse, uma infecção generalizada”, relatou Rosângela.
O que diz a UPA
Em nota, a direção da UPA do Trapiche informou que a transferência dos pacientes é realizada pela Central de Regulação, sob responsabilidade compartilhada entre Estado e Município, conforme a disponibilidade de leitos hospitalares.
A unidade destacou que, enquanto aguardam a vaga, os pacientes continuam recebendo assistência médica e acompanhamento contínuo das equipes de saúde.
A UPA acrescentou ainda que mantém contato permanente com a Central de Regulação para agilizar as transferências.
Sobre a estrutura da unidade, informou que o aparelho de raio X está em manutenção. Durante esse período, os pacientes que necessitam do exame estão sendo encaminhados para as UPAs do Benedito Bentes e da Santa Lúcia. A previsão é de que o equipamento volte a funcionar em breve.
Defensoria Pública orienta pacientes
A Defensoria Pública do Estado informou que está à disposição para prestar assistência jurídica aos pacientes que enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, incluindo pedidos de transferência hospitalar.
Em Maceió, o atendimento é realizado pela Seção de Saúde Pública, na subsede da Defensoria, no bairro do Poço, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.
No interior do estado, os atendimentos são feitos nas unidades da Defensoria do município ou da comarca onde o paciente reside.
Para solicitar atendimento, é necessário apresentar documento de identificação, Cartão SUS, comprovantes de residência e renda, além do laudo médico e do pedido de transferência.


