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Peixes de criação brasileira são diagnosticados com bactéria grave


Pela primeira vez, pesquisadores brasileiros identificaram a presença de bactérias capazes de causar uma doença grave em peixes destinados ao consumo humano no Brasil. Até o momento, a columnariose, condição provocada por espécies de do gênero Flavobacterium, havia sido diagnosticada em animais de criação somente da Ásia e Estados Unidos. 

Apesar de não ser transmissível a humanos, ao infectar o organismo dos peixes, a columnariose provoca lesões na pele e nadadeiras, além de necrosar as brânquias. Em poucos dias, os animais podem morrer. Assim, o prejuízo principal da infecção é o impacto econômico.

No Brasil, a condição foi detectada em tilápias, originária da África, e em espécies nativas, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia. O achado foi liderado por pesquisadores do Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista (Caunesp), no estado de São Paulo, em parceria com cientistas de Moçambique. Os resultados foram publicados na revista Microbial Pathogenesis em maio.

Disseminação da bactéria nos peixes brasileiros

Na análise, 11 cepas foram isoladas, seis delas eram da espécie Flavobacterium oreochromis, achada somente em tilápias no Brasil, mas dessa vez foi encontrada em outros peixes nativos, como o tambaqui, lambari e pacu.

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do Metrópoles

Nunca antes detectada em um pintado-da-amazônia, a Flavobacterium davisii foi identificada infectando a espécie. As investigações também demonstraram que os agentes infecciosos estão adaptados ao clima brasileiro, o que aumenta o risco de infecção. Uma das espécies conseguiu se proliferar a 28ºC, a temperatura média das águas continentais do Brasil.

Outros exemplares bacterianos chegaram a se desenvolver em temperaturas até mais altas. O que preocupa os pesquisadores é que alguns deles conseguiram desenvolver uma proteção para se manter “dormentes” enquanto as condições de proliferação não são favoráveis.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, afirma o primeiro autor do estudo, Daniel de Abreu Reis Ferreira, em entrevista à Agência Fapesp.

Segundo ele, a detecção inicial da presença das bactérias é feito por exame visual das colônias no microscópio, porém é preciso ter foco ao utilizar o método. “Como esses microrganismos se movimentam deslizando no meio de cultura, dependendo do meio utilizado a colônia fica transparente, quase invisível. Por isso, é preciso atenção redobrada durante o exame visual”, ensina o pesquisador.

Por outro lado, os especialistas afirmam que a adição de sal à água se mostrou uma ação promissora para combater as bactérias causadoras da columnariose. No entanto, é preciso analisar quais são os níveis adequados de salinidade para cada espécie de peixe.

Além disso, eles seguirão realizando análises genômicas com objetivo de desenvolver vacinas personalizadas a cada cepa detectada nos criadouros brasileiros.



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