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quem é quem na planilha da propina do INSS


“Heróis”, “Italiano”: quem é quem na planilha da propina do INSS | Foto: CNN Brasil

A PF (Polícia Federal) detalha em 839 páginas do primeiro relatório sobre as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que os investigados do suposto esquema usavam apelidos para o recebimento de propinas mensais. LEIA MAIS NOTÍCIAS DA POLÍTICA NACIONAL E INTERNACIONAL ACOMPANHE O ALAGOAS 24 HORAS NO INSTAGRAM Os codinomes constam em uma…

A PF (Polícia Federal) detalha em 839 páginas do primeiro relatório sobre as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que os investigados do suposto esquema usavam apelidos para o recebimento de propinas mensais.

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Os codinomes constam em uma planilha de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador do esquema. A PF diz que ele e sua esposa atuavam como o principal braço financeiro das fraudes, controlando empresas de consultoria, de carros e de agropecuária, que, juntas, receberam mais de R$ 312 milhões.

A investigação aponta que os valores desviados de aposentados e pensionistas eram usados para pagar “vantagens indevidas” a agentes públicos e políticos, denominados por eles como “Heróis,” “Notáveis” ou “Amigos”. O relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal diz que esses personagens eram “essenciais para a boa fluidez do esquema”.

Os pagamentos foram comprovados pelo cruzamento das mensagens de “prestação de contas” enviadas por eles com os dados da quebra de sigilo bancário, diz a PF.

Mensagens encontradas pela investigação retratam pagamentos a operadores ligados a fraude do INSS •
Os principais apelidos identificados e indiciados foram:

  • “Herói V” – Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho (ex-procurador-geral do INSS);
  • “Herói A” – André Paulo Felix Fidelis (ex-diretor de Benefícios do INSS);
  • “Herói E” – Euclydes Marcos Pettersen Neto (deputado federal);
  • “O Italiano” – Alessandro Antonio Stefanutto (ex-procurador-geral e ex-presidente do INSS)
  • “O Ministro”, “São Paulo” ou “Abou Yasser” – José Carlos Oliveira (ex-diretor de Benefícios, ex-presidente do NSS e ex-ministro da Previdência);
  • “O servidor do INSS” – Rogério Soares de Souza.

A PF detalha a atuação de cada um e diz que todos se organizavam para que o esquema continuasse.

O PAPEL DE CADA UM

Em mensagens obtidas, um operador indica que os valores “do [herói] A”, assim como o “resto do V”, devem ser colocados em uma conta vinculada à empresa ACCA Consultoria Empresarial, que é uma das empresas do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido “Careca do INSS”.

A PF diz que o “Herói A”, André Fidelis, recebeu, de forma continuada entre 2023 e 2024, o montante de pelo menos R$ 3.410.000,10 em propinas, distribuído em 13 transações eletrônicas mapeadas.

Sobre o “Herói V”, a PF diz que Virgilio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho recebeu R$ 6.575.000,12 em 35 transferências, via empresas interpostas como JBO Comércio de Veículos.

Alessandro Antonio Stefanutto recebia até R$ 250.000,00 mensais, totalizando R$ 900.000,00 via Stelo Advogados, além de outros montantes via Delícia Pizzas Italiana e Moinhos Imobiliária, diz a PF.

Sobre o deputado federal e presidente do Republicanos em Minas Gerais, Euclydes Marcos Pettersen Neto, o “Herói E”, a PF diz que ele era “o mais bem remunerado”, recebendo pelo menos R$ 14.700.000,00, mediante transferências fracionadas (“smurfing”) para empresas como Fortuna Loterias e Construtora V L H LTDA.

Dos apelidados, a PF finaliza detalhando a suposta atuação de Rogério Soares de Souza, servidor do INSS, um agente público identificado nas prestações de contas de propina do operador financeiro Cícero Marcelino. Mencionando como “Rogério” ou “R” ao lado dos “Heróis” principais, a PF diz que ele recebia valores indevidos de forma recorrente, ocultados através de contas de terceiros.

“Sua participação demonstra que a corrupção na Organização Criminosa atingia diversos níveis da Autarquia Previdenciária, sendo financiada pelo produto da fraude em massa”, detalha o documento. O relatório também frisa uma cobrança direta feita por Rogério a Cícero (“Esqueceu de mim, mestre?”) e que isso evidenciaria “seu pleno conhecimento e participação ativa no esquema de corrupção passiva e lavagem de dinheiro”.

Esse é o primeiro relatório com indiciamento do caso Sem Desconto. A PF mirou nos “operadores” do suposto esquema e elabora novos indiciamentos ao longo do mês com nomes ainda não colocados nesse documento obtido pela CNN.

O QUE DIZEM OS INDICIADOS

Em nota, a defesa do ex-presidente do INSS diz que “ao longo de mais de um ano de investigação, Stefanutto teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados, aparelhos eletrônicos apreendidos e sua movimentação financeira integralmente analisada. Ainda assim, segundo a defesa, a investigação não demonstrou o recebimento de valores ilícitos em seu patrimônio”.

“A defesa também afirma que o relatório final deixou de enfrentar elementos probatórios relevantes já incorporados aos autos. Entre eles está o depoimento da pessoa que se reconheceu como o “Italiano” mencionado nas conversas analisadas durante a investigação, referência atribuída desde o início da apuração a Alessandro Stefanutto. Na avaliação da defesa, trata-se de elemento probatório que merecia análise aprofundada por possuir potencial para afastar uma das premissas centrais adotadas pela investigação”, diz a nota.

O deputado Euclydes diz: “Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS. O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa. Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento. Minha defesa se manifestará nos autos, onde a versão da investigação será confrontada com documentos. Sigo trabalhando no exercício do mandato.”

As defesas de Virgílio, Fidelis, José Carlos Oliveira e Rogério Soares ainda não foram encontradas. O espaço segue aberto para manifestações.





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