A mãe da proprietária de uma lavanderia no Guará acusou um adolescente negro, de 13 anos, de furtar canetinhas de colorir de dentro do comércio da filha. A mulher abordou o menino longe dos responsáveis e, sem nenhuma prova, o apontou como sendo o autor do furto. O caso aconteceu no último sábado (10/7), por volta das 22h, e é investigado pela Polícia Civil do DF (PCDF) como calúnia contra menor de idade.
Veja vídeo.
Camila Freitas, 43 anos, é mãe do garoto e cliente da lavanderia. Segundo ela, no local fica um pote de balinhas disponível para os clientes como cortesia. No último sábado, quando a família voltava da igreja, o garoto percebeu que o comércio estava aberto e entrou para pegar os doces — momento em que a mulher o acusou de furtar canetas do local. Revoltada com o relato do filho, ela gravou um vídeo e denunciou o caso nas redes sociais.
A mãe da dona da estabelecimento teria falado para o menino que imagens do circuito interno mostravam ele furtando. A criança chegou a pedir para ver as imagens, mas a mulher negou. Toda situação, ainda, teria ocorrido na frente de outro cliente, o que teria feito o menino se sentir constrangido com a acusação.
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do Metrópoles DF
“Ela já abordou ele assim: ‘Ei, foi você que pegou as canetinhas que estavam aqui’ […]. Ela ainda falou assim: ‘Da forma que você entrou, eu logo percebi que você era o rapaz do vídeo’”, contou Camila ao Metrópoles.
Assustado com a situação, o adolescente voltou para casa chorando muito, quando o pai, Antoniel de Sousa, 48, foi até a lavanderia, que fica próxima da casa onde moram, e questionou a atitude da mulher. O pai também chegou a pedir para ver as imagens que supostamente mostrariam o filho furtando o local, mas ela teria, novamente, se recusado a mostrar.
No vídeo gravado por Antoniel, a mãe da proprietária do comércio volta a afirmar que nas imagens, o garoto que apareceria furtando se parece muito com o filho dele. A mulher chega a se desculpar pela “interpretação errada” da família.
“Ele pareceu muito com um garotinho que tem aqui no vídeo. Eu pelo menos não sou uma pessoa preconceituosa, peço desculpas se você interpretou dessa maneira”, afirma durante conversa com o responsável do garoto.
No dia seguinte, a família entrou em contato com a lavanderia e solicitou mais uma vez as imagens do circuito — que foram negadas. A dona do estabelecimento chegou a se desculpar pela atitude da mãe. Após o episódio, os pais registraram Boletim de Ocorrência contra a mulher.
Procurados, a lavanderia informou que a empresa mantém canetinhas de colorir no local à disposição das crianças e que, em determinada ocasião, uma criança teria retirado algumas canetinhas do espaço, mas que a empresa considerou “fato de reduzida relevância, uma vez que os itens são disponibilizados justamente para o uso das crianças”.
“Alguns dias depois, a gestão foi informada de que havia ocorrido um episódio dentro da loja no qual uma criança se sentiu ofendida em conversa com a mãe da gestora do local, pessoa sem qualquer vínculo funcional ou de representação institucional com a empresa, relatando ter se sentido acusada de ter levado as canetinhas”, diz trecho da nota.
A lavanderia informou, ainda, que “não há certeza sobre os detalhes exatos do ocorrido, mas pessoas presentes no momento relatam que não houve qualquer agressividade, tratando-se apenas de uma conversa no tom normalmente dirigido a uma criança, haja vista que se tratavam tão somente de canetinhas”.
Adolescente amendrontado
A mãe contou que o filho é um adolescente muito tímido e que toda essa situação o deixou muito abalado e com medo, inclusive de passar na frente do comércio.
“Ele está muito constrangido. Não quer descer, está com medo de passar perto da lavanderia e ser acusado de novo”, contou.
Camila questionou, ainda, a atitude da comerciante — que abordou um adolescente sem a presença dos pais e sem provas.
“Não é a primeira vez que meus filhos sofrem preconceito. Essa situação mexeu muito com a gente. Se ela acusou meu filho, o que levou ela acusar ele? Porque mesmo que ela achasse, ela tinha que ter certeza, chamar os pais. Ela simplesmente acusou ele na lata”.
Além de registrar Boletim de Ocorrência na PCDF, a família pretende entrar com processo na Justiça do DF por calúnia contra os envolvidos no caso.




