O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) saiu em defesa do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou explorar politicamente a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Em entrevista ao Metrópoles, nesta terça-feira (21/7), Eduardo disse que o petista “comemorou” a medida ao atribuir a responsabilidade pela taxação à família Bolsonaro.
Segundo Eduardo, a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, teve caráter técnico e a manifestação pública de Rubio ocorreu apenas após, segundo ele, declarações políticas de Lula.
O ex-parlamentar disse que Rubio não participou da análise comercial que embasou a investigação americana, mas reagiu politicamente ao discurso do presidente brasileiro.
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do Metrópoles
“O que o Marco Rubio fez? Ele viu essa mentira, essa injustiça. Ele não é um ator técnico, porque não faz uma análise comercial das coisas. Ele é um ator político que estuda e trabalha dentro da geopolítica. Ele botou uma ‘água no chope do Lula’”, declarou.
Eduardo também atribuiu a postura do secretário de Estado à origem familiar de Rubio. “O Rubio é descendente de cubanos. Dentro de casa ouviu as histórias de como se comportam, de maneira inescrupulosa, esses líderes de esquerda. E o Lula não é exceção à regra.”
Na avaliação do ex-deputado, o governo brasileiro buscou transformar a crise comercial em um ativo eleitoral.
“Se for preciso que o povo pague mais tarifa, que gere inflação e desemprego para os próprios brasileiros, se o Lula entender que isso vai trazer ganhos na eleição, ele o fará, tanto que o fez. O Rubio só desnudou a estratégia do Lula.”

Green Card de Eduardo Bolsonaro (PL)
Material cedido ao Metrópoles

Eduardo Bolsonaro, Tom Cotton e Paulo Figueiredo
X / Eduardo Bolsonaro

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro
Vinícius Schmidt/Metrópoles
Tarifa de 25%
- As declarações ocorrem em meio ao aumento da tensão entre Brasília e Washington após o governo de Donald Trump oficializar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras.
- A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação do USTR, que concluiu que o Brasil adota práticas consideradas “desleais, discriminatórias e irrazoáveis” contra empresas norte-americanas.
- A nova tarifa atinge produtos como etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, papel, açúcar e produtos químicos.
- Ao mesmo tempo, diversos itens ficaram de fora da taxação, entre eles café, carne bovina, mel orgânico, açaí, laranja, terras-raras, além de produtos de aço e alumínio já sujeitos a outras tarifas, insumos industriais e componentes da indústria aeroespacial.
- Eduardo Bolsonaro é apontado por autoridades brasileiras como um dos articuladores da aproximação entre integrantes do governo Trump e aliados da oposição brasileira durante a escalada das tensões comerciais.
Na segunda-feira (20/7), durante a convenção nacional do PDT, em Brasília, Lula elevou o tom contra o governo americano e desafiou Marco Rubio a participar da campanha eleitoral brasileira em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sem citar nominalmente o parlamentar.
A declaração foi uma resposta às críticas feitas por Rubio nas últimas semanas. O chefe da diplomacia americana responsabilizou Lula pelo fracasso das negociações comerciais entre os dois países e afirmou que o presidente brasileiro colocou “seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”.
Segundo Rubio, “essas tarifas são o preço por isso”.




