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CV promove "1º Aulão de Drone" no RJ para treinar ataques com bombas


Vídeos estarrecedores revelados recentemente pelo ex-secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), o delegado Felipe Curi, trouxeram à tona uma nova e perigosa dimensão da atuação do crime organizado no estado. As imagens divulgadas mostram dezenas de traficantes do Complexo da Penha, na Zona Norte, fortemente armados com fuzis e reunidos para o que a própria facção denominou de “1º Aulão de Drone”.

Além dos registros em vídeo, o ex-secretário exibiu o print de uma convocação que circulou nas redes sociais convidando para o treinamento na comunidade.

“O faro policial a gente não perde nunca”, destacou Curi em sua declaração. “Vimos nas redes sociais um chamamento pelo X (antigo Twitter) convocando para o aulão de drone no Complexo da Penha. Naquela data, a aula presencial acabou adiada por condições climáticas, mas todos já estavam posicionados. Agora, as imagens confirmam o que prevíamos”, disse.

Drones do terror

De acordo com as investigações e os constantes registros efetuados nos últimos meses, o uso de drones pelo Comando Vermelho (CV) deixou de ser apenas ferramenta de vigilância para se tornar um armamento ofensivo. As facções que operam na capital fluminense adaptaram os aparelhos para arremessar granadas e artefatos explosivos contra redutos de grupos rivais e posições de forças de segurança.

A especialização técnica dos criminosos confirma o alerta feito pelo ex-secretário há cerca de 10 dias: o crime organizado passa por um processo acelerado de modernização tática e busca ativamente cooptar e recrutar jovens das periferias para operar essas tecnologias.

Risco de cooptação

A revelação dos vídeos acendeu um sinal de alerta sobre iniciativas paralelas de capacitação na cidade. Com o recente surgimento de cursos legítimos de pilotagem de drones voltados para moradores de comunidades do Rio de Janeiro, especialistas e autoridades temem a infiltração do tráfico.

O risco iminente é que integrantes de facções sejam enviados para se qualificar nesses cursos ou que jovens formados acabem sendo cooptados pela promessa de dinheiro fácil do crime organizado.

Para o delegado Felipe Curi, a juventude das periferias precisa de oportunidades reais de trabalho e não de abordagens do narcotráfico: “Quem mora na favela merece conquistar seu emprego de forma digna, se profissionalizar de verdade e prosperar, e não viver refém de facções criminosas que usam a tecnologia para espalhar o terror”, defendeu o ex-secretário.



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