Urnas eletrônicas em Campo Grande. — Foto: TRE-MS
Uma campanha nacional criada por organizações cristãs e ecumênicas para combater a desinformação nas eleições de 2026 foi lançada nesta quinta-feira (30), em Brasília. A iniciativa “Boto Fé no Voto” pretende mobilizar igrejas, lideranças religiosas e fiéis para identificar e checar informações falsas ou enganosas e incentivar o acesso a fontes confiáveis durante o período…
Uma campanha nacional criada por organizações cristãs e ecumênicas para combater a desinformação nas eleições de 2026 foi lançada nesta quinta-feira (30), em Brasília.
A iniciativa “Boto Fé no Voto” pretende mobilizar igrejas, lideranças religiosas e fiéis para identificar e checar informações falsas ou enganosas e incentivar o acesso a fontes confiáveis durante o período eleitoral.
Com o lema “Eu escolho a verdade”, a campanha também prevê ações de formação e produção de conteúdos educativos para fortalecer o voto consciente nas eleições de 2026.
O lançamento foi feito na Catedral Anglicana de Brasília e reuniu representantes de organizações religiosas e da sociedade civil.
A campanha foi idealizada pelo Coletivo Bereia – Informação e Checagem de Notícias, projeto especializado na verificação de conteúdos que circulam em ambientes religiosos, em parceria com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) e outras organizações e movimentos ecumênicos.
O lançamento contou com uma roda de conversa sobre os desafios da comunicação, da fé e da democracia durante o período eleitoral.
Ao longo do processo eleitoral de 2026, a iniciativa prevê a produção de materiais educativos, vídeos e conteúdos para as redes sociais, além de rodas de diálogo e formações para lideranças religiosas, comunicadores e jornalistas.
Por que atuar nas igrejas?
Segundo Magali Cunha, jornalista, pesquisadora e editora-geral do Coletivo Bereia, a escolha pelas comunidades religiosas considera a influência desses espaços na formação de opiniões e na mobilização social.
De acordo com Cunha, estudos acadêmicos, investigações jornalísticas e iniciativas de monitoramento identificaram, nas últimas eleições, a circulação de conteúdos falsos e enganosos em grupos de mensagens, redes sociais e outros ambientes ligados a comunidades religiosas.
Segundo a pesquisadora, esses conteúdos chegaram a explorar valores, símbolos e crenças religiosas para tentar influenciar o debate público.
“A campanha nasce justamente desse diagnóstico. Nosso objetivo não é discutir opções partidárias nem orientar o voto em candidaturas específicas. O propósito é fortalecer uma cultura democrática baseada no acesso à informação confiável, na responsabilidade cidadã e no compromisso ético com a verdade”, afirmou ao g1.
Como a campanha vai funcionar?
A campanha foi estruturada para funcionar em rede durante o processo eleitoral. Entre as ações previstas estão materiais educativos para redes sociais, vídeos, rodas de diálogo e formações para lideranças religiosas, comunicadores e jornalistas.
Não há, neste momento, uma meta de número de igrejas ou cidades participantes.
“Nossa proposta é funcionar em rede, estimulando que organizações, comunidades de fé e pessoas comprometidas com a democracia possam aderir, compartilhar os materiais e promover espaços de diálogo em seus próprios territórios”, diz Magali Cunha.
A checagem dos conteúdos terá como principal referência o Bereia, que atua desde 2019 na verificação de informações que circulam em ambientes religiosos. Segundo Cunha, o trabalho é baseado em documentos públicos, pesquisas acadêmicas, especialistas e fontes oficiais.
“A classificação de um conteúdo como falso, enganoso ou descontextualizado não decorre de opiniões ou posicionamentos políticos, mas da comparação entre o que circula e evidências verificáveis, documentadas e passíveis de conferência”, afirma.
A campanha também vai orientar lideranças e comunidades religiosas sobre direitos, deveres e boas práticas durante as eleições, com base na legislação eleitoral.
Segundo os organizadores, a iniciativa não tem caráter fiscalizador nem substitui a atuação da Justiça Eleitoral.
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