ESPAÇO PÚBLICO
Mudança transferiu barracas e carrinhos da faixa próxima à praia para o canteiro da Faixa Verde.
A reordenação da Rua Aberta, na orla da Ponta Verde, voltou a provocar reclamações entre ambulantes e pequenos empreendedores que trabalham aos domingos na região. Implantada pela Prefeitura de Maceió, a mudança retirou barracas e carrinhos da área mais próxima à praia e transferiu os comerciantes para o canteiro da Faixa Verde, medida que, segundo os trabalhadores, já provocou redução nas vendas e dificultou a rotina de trabalho.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
No segundo fim de semana após a alteração, comerciantes relataram que a principal dificuldade tem sido a falta de definição dos espaços destinados a cada empreendimento. Sem um ponto fixo, afirmam que passaram a disputar vagas a cada domingo e enfrentam dificuldades para manter a clientela.
Leia também
“A organização seria fazer um cadastro. Hoje qualquer pessoa chega e ocupa um espaço. Todo domingo aparece alguém diferente”, afirmou uma das comerciantes.
Além da mudança de localização, os trabalhadores reclamam da perda de visibilidade. Segundo eles, clientes habituais têm dificuldade para localizar os empreendimentos após a transferência para uma área mais afastada da praia.
“A gente constrói uma clientela, divulga onde está e, de uma hora para outra, precisa mudar de lugar. Quem procura acaba não encontrando”, relatou outro ambulante.
Queda nas vendas
Os impactos também foram sentidos no faturamento. Comerciantes afirmam que o movimento caiu já nos primeiros dias após a reordenação.
“Houve uma redução de cerca de 50% nas vendas em relação ao que costumávamos vender”, disse um empreendedor.
Outro trabalhador estima que o faturamento diminuiu aproximadamente 30% e atribui parte da queda à falta de um sistema de cadastramento que organize a ocupação do espaço.
Segundo ele, desde 2022 há um pedido de cadastro protocolado junto ao município, mas o processo permanece sem conclusão.
Falta de cadastro é uma das principais queixas
Além da nova localização, os ambulantes afirmam que a ausência de um cadastro oficial dificulta a organização da Rua Aberta.
Eles defendem que a Prefeitura estabeleça critérios para definir quem pode trabalhar no local e em quais pontos cada comerciante ficará instalado, evitando disputas por espaço e garantindo maior segurança jurídica para quem atua regularmente na orla.
Os trabalhadores também afirmam que a falta dessa organização facilita a entrada de comerciantes de outras cidades, reduzindo as oportunidades para quem atua na região durante todo o ano.
Ordenamento atende decisão judicial
A reordenação ocorre em meio ao cumprimento de uma decisão judicial que determina ao Município de Maceió promover o ordenamento da orla marítima da capital. O objetivo é disciplinar a ocupação dos espaços públicos, preservar a mobilidade de pedestres e manter a paisagem urbana em um dos principais cartões-postais da cidade.
O desafio, no entanto, tem sido conciliar o cumprimento da determinação com a atividade econômica desenvolvida por centenas de pequenos empreendedores que dependem da movimentação da Rua Aberta para garantir renda.
Parte dos comerciantes avalia que a reorganização priorizou a estética da orla, sem considerar os impactos para quem trabalha no local.
Debate vai além da Rua Aberta
A discussão também levanta um tema mais amplo sobre a ocupação da orla de Maceió. Especialistas e moradores defendem a necessidade de organizar o comércio ambulante para preservar a circulação de moradores e turistas, mas reconhecem que o processo precisa ser conduzido de forma planejada e transparente.
Outro ponto levantado é a concentração de empreendimentos na região da Ponta Verde e da Pajuçara. Enquanto esses trechos recebem grande fluxo de visitantes, áreas como Jaraguá, Cruz das Almas e a nova orla ainda registram menor movimentação, apesar dos investimentos públicos realizados nos últimos anos.
Para os ambulantes, a solução passa pela criação de um cadastro definitivo, definição de pontos fixos e diálogo permanente entre o poder público e os trabalhadores. Já para a Prefeitura, o ordenamento busca garantir uma ocupação mais organizada da orla, conciliando atividade econômica, mobilidade urbana e preservação de um dos principais atrativos turísticos de Maceió.



