Uma trama marcada por mentiras, comoção e revolta mobiliza moradores do Condomínio Alto da Boa Vista, em Sobradinho, e se tornou alvo de investigadores da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho) e da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).



A cadelinha da raça shih tzu, batizada de Vidinha, de 18 anos, foi encontrada morta e enterrada clandestinamente em uma área de matagal às margens da BR-020, no acesso ao Vale do Amanhecer, em Planaltina. O caso, que começou como o desaparecimento de um animal de estimação idoso, transformou-se em uma apuração policial de ocultação e maus-tratos.
Tudo começou no último domingo (2/8), por volta das 11h, quando a cadela escapou pelo portão de casa. Pouco tempo depois, uma vizinha publicou no grupo de WhatsApp do condomínio que havia acolhido o animal. No entanto, quando a família foi ao local para buscá-la, a mulher afirmou que a cachorrinha havia conseguido fugir novamente.
Membro da família
Durante dias, a família do tutor Rodrigo Aparecido Alves Pereira permaneceu sob intenso desespero, realizando buscas ininterruptas pelo condomínio. Rodrigo contou que Vidinha não era apenas uma cadela, mas um membro da família que tinha 18 anos e cresceu ao seu lado e de sua filha de 11 anos.
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do Metrópoles
Ele relatou o sofrimento familiar ao retornar repetidas vezes à casa da moradora explicando que sua filha estava desolada, com febre e sem comer. Em todas as tentativas, a vizinha e o marido sustentaram a versão de que o animal tinha fugido e chegaram a desejar boa sorte nas buscas, cientes do que realmente havia ocorrido.
A farsa começou a ruir após contradições nos depoimentos e com o avanço das investigações da PCDF. Câmeras de segurança do condomínio flagraram o momento em que a moradora colocava a cadela em um Fiat Uno e saía na companhia de duas funcionárias da casa.
Mudança de versão
Pressionada, a vizinha mudou a versão dos fatos e alegou que a cachorrinha havia caído acidentalmente na piscina de sua casa e morrido afogada. Com receio das consequências, ela pediu ajuda às funcionárias para ocultar o cadáver da cadelinha em uma área às margens da rodovia BR-020, na altura do Vale do Amanhecer, em Planaltina.
Policiais civis da DRCA foram até o local indicado, na saída para o Vale do Amanhecer, onde desenterraram o corpo da cadela. Vidinha estava embalada em um saco branco, envolto por sacos plásticos pretos amarrados. Ao abrir a embalagem, a perícia confirmou que o animal ainda portava seus laços presos à pelagem.
O cadáver foi encaminhado ao Hospital Veterinário para exames necroscópicos, que vão atestar se a causa da morte foi de fato afogamento ou se houve agressão prévia. A crueldade da omissão causou forte comoção entre os moradores de Sobradinho.
Vigilia
Indignados com a postura da vizinha diante do sofrimento da família, dezenas de residentes do Alto da Boa Vista realizaram uma vigília em frente à casa onde Vidinha morreu, pedindo justiça.
O tutor desabafou que fatalidades acontecem, mas o que vem depois mostra quem a pessoa é, destacando a dor de terem tirado da família até mesmo o direito de se despedir e dar um enterro digno à companheira de quase duas décadas. A Polícia Civil segue apurando as responsabilidades criminais dos envolvidos.




