Para infelicidade de alguns candidatos, o relógio continua girando. Agora, faltam só dois dias para o fim do prazo de alteração ou ajustes nas atas das convenções. O tic, tac termina às 18h59m59s do dia 15 de agosto.
A cadas segundo que passa, a indefinição de JHC pesa cada vez mais sobre sua própria campanha. Desde as convenções, o ex-prefeito ainda não disse se será candidato ao governo ou ao Senado, não definiu o vice, não fechou a segunda vaga ao Senado e também não resolveu o destino de Marina Candia.
Pior, ele segue afastado das atividades de campanha. E sem essas respostas, os aliados esperam. Os candidatos proporcionais também. E a campanha de JHC, na prática, ficou travada justo num momento em que deveria ganhar ritmo.
Do outro lado, Renan Filho segue avançando. Desde a convenção, participou de atos e reuniões no interior, ganhou novos aliados – entre eles Marlan Ferreira – foi a Brasília, encontrou Lula e retorna a Alagoas com agenda para esta sexta-feira e o fim de semana.
Avança por um lado, mas a cautela manda esperar pelo outro. Ao mesmo tempo, o candidato do MDB matém em aberto a escolha do vice ou da vice e diz a interlocutores que pretende esperar o máximo possível pela definição do adversário.
A espera do MDB tem lógica. Renan Filho quer saber primeiro se JHC será de fato candidato ao governo, quem será o vice e quais nomes estarão na disputa pelo Senado. Com JHC na eleição, terá uma campanha dura pela frente. Sem JHC, o cenário muda completamente e a escolha do vice pode seguir outro critério, com menos pressão e mais liberdade para compor.
Nos bastidores, a versão mais comentada hoje coloca JHC candidato ao governo, Ronaldo Lessa como vice, Eudócia Caldas para o Senado e Marina Candia candidata a deputada federal. Mas ninguém trata essa composição como fechada.
Interlocutores próximos a JHC afirmam que ele ainda avalia as duas possibilidades, governo e Senado. A candidatura ao governo continua sendo considerada a mais provável, mas a dúvida permanece e, enquanto isso, todo o grupo fica condicionado à decisão do ex-prefeito.
O MDB também deixou algumas brechas. A vice de Renan Filho e as suplências de Renan Calheiros estão hoje ocupadas por nomes provisórios, justamente para permitir ajustes depois que o adversário mostrar sua chapa.
Se JHC não disputar o governo, Renan Filho terá outra eleição pela frente. Provavelmente enfrentará um nome da direita com menos densidade eleitoral no início, mas disposto a buscar a polarização e a montar em Alagoas o palanque de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar contra o palanque de Lula e Renan Filho.
Por isso, os dois lados ainda esperam. A diferença é que Renan Filho continua em campanha enquanto aguarda a decisão do adversário. JHC, até agora, mantém o próprio grupo parado à espera de uma definição.




