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“Mano, que medo”, disse motorista de Haddad em zap sobre carro da PM


O motorista da campanha do candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, que afirma ter sido seguido por uma viatura da Polícia Militar na noite da última terça-feira (13/8) relatou em mensagens de WhatsApp estar sentindo medo após o ocorrido.

“Mano, que medo”, escreveu pelo aplicativo às 23h03 daquele dia. O profissional relatou o episódio instantes depois a um advogado. A reportagem teve acesso às mensagens com exclusividade (veja abaixo).

Motorista entrou em contato com advogado após estacionar o carro na terça-feira
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Motorista entrou em contato com advogado após estacionar o carro na terça-feira

"Ficaram me seguindo", relatou profissional no WhatsApp
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“Ficaram me seguindo”, relatou profissional no WhatsApp

Motorista diz ter se sentido intimidado: "Mano, que medo"
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Motorista diz ter se sentido intimidado: “Mano, que medo”

A interlocutores, o motorista relatou que, depois do ocorrido, resolveu mandar as mensagens ao advogado por não saber exatamente a quem recorrer. Ele não registrou boletim de ocorrência. Disse ainda estar abalado com a situação e que cogitou largar a campanha.

A primeira mensagem sobre o episódio ocorreu às 22h41. “Não quero deixar vocês preocupados e nem quero esticar esse assunto até o chefe. Mas fui seguido por uma viatura da PM”, disse.

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do Metrópoles

A mensagem foi enviada cerca de uma hora depois que o motorista deixou Haddad em sua residência, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo, após o candidato ter participado de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP. Às 21h40, o motorista avisa em mensagem: “em casa, tudo certo”.

Imagens da câmera de segurança da casa do candidato do PT ao governo de São Paulo mostram Haddad sendo deixado em casa, logo depois que uma viatura da PM passa pela frente da residência.

Nas mensagens, o motorista conta que os policiais teriam “uma lanterna no carro para ver quem estava dentro”. “Até aí o chefe estava junto”, diz ele, se referindo ao candidato.

Ainda de acordo com o relato, ao deixar a casa do petista, o profissional notou que a viatura estava parada no acostamento da avenida 23 de maio. Na sequência, o motorista afirma que foi seguido até parar em um posto de gasolina nas proximidades. “Eles pararam e não paravam de me olhar. Aí percebi que o papo era comigo”, afirmou.

O homem segue relatando ao advogado que, para despistar, entrou no estacionamento de um hotel e ficou no local esperando a viatura ir embora. A interlocutores, o motorista relatou que ficou circulando por ruas internas por cerca de 40 minutos antes de estacionar no local.

Ao longo do relato, o motorista diz que percebeu “o dia todo que as viaturas olhavam diferente para o carro”. “Mas achei que era neura minha”, afirma.

Às 22h46, o profissional afirma: “vou até eles perguntar o que está pegando”. Quinze minutos depois, ele manda uma nova mensagem dizendo que estava no hotel esperando os policiais saírem.

SSP mostra novas imagens

Imagens de outra câmera de segurança divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) na noite dessa sexta-feira (14/8) mostram o carro do motorista de Haddad estacionando em frente ao hotel na rua Joinville às 21h58, segundo o registro do equipamento de um condomínio residencial.

Às 22h24, é possível ver uma viatura passando lentamente pelo carro, sem parar. Dois minutos depois, o veículo do motorista deixa o local. Neste momento da cronologia dos acontecimentos, há uma divergência de versões.

Os horários das mensagens, que teriam sido enviadas enquanto os fatos ocorriam, não são os mesmos exibidos pela câmera de segurança. A SSP afirma que a viatura não parou. Já o profissional da equipe de Haddad diz que a polícia estacionou alguns metros à frente.

O motorista relata que, antes de deixar o local, teria descido do carro e perguntado aos policiais o que estava acontecendo. Segundo ele, os policiais estavam fora da viatura e deram palavras de ordem o enxotando. Ele voltou ao carro, e foi embora. As imagens divulgadas pela SSP não mostram isso.

Após a divulgação das novas imagens, o Metrópoles entrou em contato com o motorista do candidato, que sustentou a versão.

Anteriormente, na noite de quinta-feira (13/8), a SSP havia emitido uma nota dizendo que as imagens cerca de 40 câmeras privadas de residências e estabelecimentos comerciais ao longo do percurso indicado pelo motorista foram verificadas. Depois da análise, a pasta afirmou não ter identificado “nenhum indício de abordagem ou procedimento irregular por parte dos policiais nem interação das equipes com o candidato ou membros da sua equipe”.

“Após a checagem visual, a identificação e o percurso das viaturas foram confirmados pelo sistema de geolocalização dos veículos. A apuração prossegue e, caso sejam identificados indícios de irregularidades, o procedimento poderá ser convertido em inquérito”, diz a nota da SSP.

Em nova nota enviada ao Metrópoles na noite dessa sexta-feira, a pasta afirmou que a presença de viaturas em determinada região, por si só, não caracteriza acompanhamento ou perseguição. A pasta também informou que o número de câmeras analisadas havia subido para 70.


Entenda o caso

  • Na última quarta-feira (12/8), Haddad relatou que o motorista do carro em que ele estava foi abordado por policiais militares (PMs) com fuzis após o político ser deixado em casa, na noite dessa terça-feira (11/8).
  • Durante uma entrevista a jornalistas após sabatina na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP), o ex-ministro da Fazenda contou que voltava de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) com seu motorista e, ao chegar à sua residência, uma viatura da Polícia Militar “jogou luz no carro”.
  • Na sequência, Haddad desceu do veículo, entrou em casa, e o funcionário seguiu viagem.
  • Mais à frente, contudo, o motorista continuou sendo seguido pelos policiais e estacionou o carro em frente a um hotel. Ele entrou no estabelecimento e, ao perceber que a viatura permaneceu no local, foi questionar os agentes sobre o motivo da perseguição.
  • Segundo o relato do petista, policiais carregavam fuzis dentro da viatura e teriam dito para o motorista “vazar” após o questionamento. De acordo com Hélio Silveira, advogado de Haddad, o motorista relatou que a “abordagem toda teria durado cerca de 40 minutos”.
  • “O meu carro, depois que me deixou em casa, foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de uma forma um pouco ostensiva e intimidadora. Quero crer que possa ter havido alguma confusão. Mas o meu motorista ficou muito assustado pela maneira como isso aconteceu”, relatou o ex-ministro.
  • “Ele é um trabalhador. Estava abalado até agora, porque tinham três fuzis dentro da viatura, as pessoas olhando para ele.”



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