CRÍTICA DO PROGRAMA
Sophia Barclay recebeu cerca de R$ 21 mil do programa, apesar de críticas à política e aos beneficiários
Crítica do Bolsa Família e beneficiária do programa, a candidata a deputada federal por São Paulo, Sophia Barclay (PL), é conhecida como “Trans de Direita” e “Anti-Erika Hilton”. Conforme publicado pelo Metrópoles, ela recebeu cerca R$ 21 mil da política social.
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Nas redes sociais, Barclay se descreve como “a maior voz Anti-Woke do Brasil” — woke é o termo usado pela extrema-direita para se referir a temas como igualdade racial e feminismo.
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Em 2024, a influenciadora foi alvo de um processo em que a defesa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pedia sua prisão. A queixa-crime por difamação foi motivada por uma entrevista na qual Sophia afirmou que Flávio teria feito sexo com uma mulher transsexual durante uma festa organizada por Neymar.
Agora correligionários, Flávio e Sophia assinaram um acordo jurídico que envolveu uma retratação pública da influenciadora. “Eu, Sophia Barclay, me retrato publicamente diante das manifestações difamatórias feitas contra Flávio Bolsonaro, ressaltando que as falas apresentadas no Real Podcast, publicado no Youtube, acerca de Flávio Bolsonaro ter tentado se relacionar comigo ou com eventual amiga são inverídicas e, portanto, não ocorreram”, diz o comunicado elaborado na época.
Sophia Barclay anunciou, em abril, a filiação ao PL. Em publicação nas redes sociais, a ativista de direita apareceu ao lado do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e confirmou a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. Entre suas principais iniciativas, estão a oposição à deputada Erika Hilton (PSol-SP), que tenta a reeleição.
Antes de ingressar no PL, ela era filiada ao Partido Novo, do qual se desfiliou no fim de fevereiro. Segundo a influenciadora, a saída ocorreu após ser informada de que não poderia manter apoio à candidatura de Flávio.
Candidata que criticou Bolsa Família recebe auxílio
A candidata Sophia Barclay começou a receber o Bolsa Família em maio de 2018, quando tinha 18 anos e ainda morava no Rio de Janeiro. Os pagamentos eram vinculados ao Cadastro Único (CadÚnico), sistema usado pelo governo para reunir informações de famílias de baixa renda.
Mas, a partir de 2025, quando passou a produzir conteúdos voltados à direita na internet, logo começaram as críticas ao funcionamento dos programas. Barclay insinuou que as iniciativas eram ineficientes e chegou a ofender os beneficiários. Em 11 de setembro de 2025, ela criticou o programa em publicação no X.
“Gostam de viver na extrema miséria, porque é nisso que vocês vivem. Vá por mim: tem gente que merece mesmo viver apenas de Bolsa Família e se contentar com pouco. Bando de porco”, escreveu.
Dias depois, no mesmo mês, a então influenciadora política recebeu R$ 600 do Bolsa Família, segundo os dados oficiais. As críticas continuaram neste ano. No mês de julho, ela publicou vídeo em seu perfil do Instagram em que questionou o programa Gás do Povo:
“Por que ao invés de aplicar auxílio, não diminui o valor do gás? Não! Mete auxílio e aumenta o imposto. E no final de tudo quem paga por isso? O próprio povo”.
O documento, obtido pela reportagem, mostrou que ela havia recebido o benefício relacionado ao gás em março deste ano.
Durante a pré-campanha, Barclay também apresentou proposta para mudar as regras do Bolsa Família. A ideia era exigir que beneficiários considerados “saudáveis” e que não tivessem filhos menores prestassem serviços comunitários para continuar recebendo o auxílio.
Segundo ela, a proposta foi apresentada como forma de fazer com que as pessoas que recebiam o auxílio também “contribuíssem” para a sociedade.
“Não é justo que apenas o trabalhador sustente essa conta. Beneficiários do Bolsa Família que não possuem filhos menores também precisam contribuir com trabalho e serviços comunitários. Bolsa Família não é aposentadoria”, afirmou.
O que diz a candidata?
Ao Metrópoles, a assessoria de Sophia Barclay afirmou que a candidata não é contra programas de assistência social. Segundo a nota, para a candidata, os auxílios devem servir como proteção para quem precisa, mas não como fonte permanente de renda.
“A candidata defende que o Estado ofereça amparo a quem realmente necessita, especialmente em situações de vulnerabilidade, mas entende que programas sociais devem funcionar como uma rede de proteção e não como uma condição permanente de dependência.”
Sobre os registros no Bolsa Família e no Gás do Povo, a equipe disse que a candidata ficou surpresa ao saber que aparecia como beneficiária e pontuou que isso teria acontecido porque o nome de Barclay consta no CadÚnico de um familiar.
A assessoria afirmou ainda que a influenciadora trabalha, declara seus rendimentos e não teve a intenção de esconder renda ou receber os benefícios de forma irregular.



