O advogado do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, assumiu a defesa dos três ex-sócios da fintech Naskar Gestão LTDA , Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato. O trio que está preso é acusado de sumir com R$ 900 milhões de mais de 3 mil clientes espalhados pelo Brasil.
O advogado entrou na última semana com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O processo já foi distribuído na última terça-feira (18/8) e será julgado pelo ministro da Sexta Turma, Carlos Pires Brandão. A data do julgamento ainda não foi divulgada.
Além de Bolsonaro, Vilardi também já foi advogado do empresário Eike Batista, do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) Delúbio durante o julgamento do escândalo do Mensalão. Ele ainda defendeu a empreiteira Andrade Gutierrez, que foi um dos principais alvos da Operação Lava Jato.
Vilardi assumiu a defesa do trio que está preso desde o dia 22 de julho durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em São Paulo.
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do Metrópoles DF
Entenda o caso
- A Naskar Gestão de Ativos chegou a ter sede no DF e, atualmente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Se apresenta como fintech (empresa de serviços financeiros que apresenta facilidades aos clientes frente a bancos tradicionais);
- A empresa atuava captando recursos de clientes com retorno de 2% ao mês, valor bem acima do operado pelo mercado;
- Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa cuidaria do patrimônio investido pelo cidadão;
- A financeira atuou por 13 anos sem problemas. Até que, em maio, o pagamento mensal de rendimentos, não foi realizado;
- Os clientes buscaram entender o que estava acontecendo e não obtiveram resposta.
Mais conhecido como Maurício Jahu, José Maurício é um ex-atleta de vôlei. Fez carreira no Clube Atlético Pirelli, de São Paulo, e teve passagens pela Seleção Brasileira na década de 1980. Maurício Jahu ainda foi treinador e modelo antes de decolar em uma segunda profissão, a de apresentador de TV. Trabalhou na ESPN Brasil durante cerca de 20 anos.
Marcelo Liranco Arantes, por sua vez, é sócio-administrador de outras três empresas, além da fintech. Já Rogério Vieira comanda duas companhias do ramo financeiro.

Maurício Jahu, sócio da Naskar. O mais famoso do trio, Jahu foi apresentador da ESPN
Reprodução

Marcelo Arantes, sócio da Naskar
Reprodução

Rogério Vieira, sócio da Naskar
Reprodução
Novo dono segue foragido
Um dos protagonistas da fraude do Caso Naskar, o novo dono Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, segue foragido em Dubai após anunciar a compra da fintech no valor de R$ 1 bilhão e passá-la para o nome da sua avó Célia Fátima Ferreira, uma idosa de 77 anos que é portadora de Alzheimer.
Douglas fugiu para o Emirados Árabes em 15 de julho deste ano. Duas semanas antes, Douglas teve prisão preventiva decretada por liderar um desvio de R$ 60 milhões da Zema Financeira, empresa ligada à família do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expediu, em 1º de julho, mandado de prisão preventiva contra Douglas Azara. O empresário, portanto, viajou para Dubai quando a ordem judicial já estava vigente.


Douglas Azara, famoso após aparecer como comprador da Naskar, surge como mentor de fraude contra Grupo Zema
Arte de Lara Abreu/Metrópoles sobre foto de redes sociais

Douglas Silva de Oliveira, 26 anos
Divulgação

Enquanto as investigações seguem, Douglas se mudou para Dubai e passou a responder comentários e comentar publicações
Redes sociais

O empresário postou fotos em viagem a Dubai
Redes sociais

Douglas ostenta carros de luxo nas redes sociais
Reprodução/Instagram
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) identificou a participação de oito pessoas no esquema e até o momento já prendeu seis. Entre os envolvidos estão namorada de Douglas, a advogada Jessika Lorrane e o seu cunhado, Maycon Douglas.
Além de Douglas, Alex Sander Gomes Junior e Thays de Alvarenga Cardoso da Silva que figuraram no esquema como peças do núcleo financeiro e operacional de “laranjas” utilizado pela organização criminosa são os únicos que seguem foragidos da Justiça com mandado de prisão em aberto.
Clientes seguem em espera
Em meio às prisões dos ex-sócios e fuga do atual comprador da fintech que debochava dos investidores por meio das redes sociais, os clientes estão há três meses na esperança de recuperarem os valores investidos. Os milhares de clientes aguardam a Justiça para reaver os valores investidos.
Para se ter ideia da gravidade da situação, um único empresário tinha R$ 3,9 milhões investidos na Naskar; um bancário possuía R$ 2,3 milhões aplicados; um aposentado aportou R$ 1 milhão. Todos os exemplos são de moradores do Distrito Federal.
Em relato ao Metrópoles, um dos clientes que captou 135 clientes para a Naskar com um valor total investido de R$ 47 milhões chegou a dizer: “A minha vida acabou”.
O outro lado
A reportagem procurou a defesa dos três ex-sócios para se pronunciar sobre o caso e não conseguiu localizar a defesa do atual comprador, Douglas Silva. O espaço para manifestação segue aberto.



