O Alfredo Jaconi recebeu um dos melhores jogos desta Série B. De um lado, o Juventude, dono da melhor campanha como mandante. Do outro, o CRB, melhor visitante da competição. O confronto entregou intensidade, alternância, oportunidades e uma virada que ajuda a explicar por que o time gaúcho assumiu a liderança.
O placar registra 2 a 1 para o Juventude. A partida, porém, exige uma leitura mais profunda.
O CRB começou avassalador. Pressionou a saída de bola, atacou os espaços nas costas da defesa e criou oportunidades suficientes para construir uma vantagem confortável ainda no primeiro tempo. Foram dez finalizações na etapa inicial e 17 durante o jogo.
Mikael saiu cara a cara, Thiaguinho também teve uma oportunidade clara e Crystopher levou perigo. Quando a defesa era superada, aparecia Pedro Rocha. O goleiro do Juventude fez uma grande partida e manteve sua equipe viva quando o CRB dominava.
O gol regatiano saiu apenas aos 46 minutos. Danielzinho cobrou rapidamente uma falta, Thiaguinho percebeu a defesa desorganizada, atacou o espaço e finalizou com força. O 1 a 0 fazia justiça ao que acontecia em campo, mas era pouco diante do volume produzido.
Contra adversários da parte de cima da tabela, a oportunidade desperdiçada quase sempre retorna cobrando juros. O futebol não possui qualquer compaixão com quem cria muito e converte pouco.
A força que veio do banco
No intervalo, Maurício Barbieri colocou Nathan Santos e Gabriel Pires nos lugares de Raí Ramos e Raí Silva. Depois acionou Luan Martins, Pablo Roberto e Alan Kardec.
O Juventude ganhou energia, ocupou melhor o campo ofensivo e modificou o panorama da partida. Safira empatou em cobrança de pênalti. Aos 33 minutos, Barbieri chamou Alan Kardec. Dois minutos depois, o centroavante marcou o gol da virada.
A jogada sintetiza a força do elenco que assumiu a liderança: Gabriel Pires, que também começou no banco, fez o lançamento; Alan Kardec atacou as costas de Bressan, tirou de Vitor Caetano e decidiu.
Aos 37 anos, Kardec não venceu apenas na velocidade. Venceu antes, na leitura do espaço e no tempo exato para iniciar a corrida. Bressan pediu a saída do goleiro, Vitor Caetano hesitou e o atacante aproveitou a falta de coordenação defensiva. Quando dois jogadores ficam esperando uma decisão, o atacante toma a dele.
Ter um bom banco não significa apenas reunir nomes conhecidos entre os reservas. Significa possuir jogadores capazes de mudar uma partida. Foi exatamente o que separou Juventude e CRB no momento decisivo.
Isso não transforma a derrota regatiana em vitória moral. Série B não distribui pontos por desempenho. O CRB precisava ter sido mais eficiente enquanto dominava e também precisava responder melhor às mudanças feitas pelo adversário.
Ao mesmo tempo, seria uma análise preguiçosa ignorar o nível da atuação. O Galo enfrentou o líder, dentro do estádio onde o Juventude é mais forte, e foi superior durante aproximadamente 60 minutos. Perdeu o jogo, mas não saiu diminuído tecnicamente.
Arbitragem de excelência
A atuação de Daiane Muniz merece um capítulo à parte. A árbitra do quadro da FIFA conduziu uma partida intensa com autoridade, equilíbrio e leitura precisa.
Daiane esteve próxima das jogadas, aplicou corretamente a vantagem, não interrompeu o jogo por contatos comuns e soube diferenciar intensidade de violência. Foram apenas dois cartões amarelos em uma partida disputada em alta velocidade.
Foi uma atuação de excelência física, técnica e disciplinar. Quando a arbitragem trabalha bem, ela não disputa protagonismo com o espetáculo. Apenas permite que o futebol aconteça. Foi o que Daiane Muniz fez no Alfredo Jaconi.
A derrota não encerra a discussão
O resultado tirou o CRB do G6 e encerrou uma sequência de sete partidas sem perder e cinco jogos sem sofrer gols. O time caiu para a sétima posição, com 36 pontos, apenas dois atrás do Sport, sexto colocado. Está quatro pontos distante de Novorizontino e Fortaleza, quarto e quinto colocados.
Neste novo regulamento, o G6 não é enfeite. Campeão e vice sobem diretamente, enquanto as equipes colocadas entre o terceiro e o sexto lugar disputam os playoffs pelas outras duas vagas.
Restam 14 rodadas e 42 pontos em disputa. O CRB está vivo, mas a margem de erro diminuiu. Operário e Atlético-GO também possuem 36 pontos. A disputa está congestionada e qualquer sequência negativa pode representar uma queda rápida na classificação.
No domingo, às 18 horas, o Galo recebe o vice-líder Criciúma no Rei Pelé. Depois de enfrentar o melhor mandante, terá diante de sua torcida outro adversário que ocupa a zona de acesso direto.
Será mais do que uma oportunidade de recuperação. Será outro teste para medir a maturidade de um time que já mostrou futebol para competir na parte de cima. Agora precisa transformar desempenho em pontos.



