Policiais civis de Pernambuco cumpriram, na manhã desta quinta-feira (3/9), a terceira fase da Operação Alvitre, que investiga uma organização criminosa estruturada para o desvio e a lavagem de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares no município de Ipojuca (PE).
De acordo com o delegado Ney Luiz, nesta terceira fase, as investigações apontam para uma atuação coordenada de vereadores, assessores e outros servidores públicos, além de advogados, contador, empresários e particulares. No centro do esquema estaria a Associação Cultural, Social e Recreativa (Mudart), que tinha como presidente a professora universitária Simone Marques da Silva (foto em destaque), assassinada a tiros em outubro de 2025.
Ao todo, foram expedidos 13 mandados de busca e apreensão, além de ordens de afastamento cautelar de servidores públicos, sequestro de bens móveis e imóveis e bloqueio de ativos financeiros que pode chegar a R$ 1,227 milhão, segundo a Polícia Civil.
Imagens:
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do Metrópoles


Linha do tempo da investigação
Reprodução / PCPE

Projetos e irregularidades
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Movimentação financeira
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Sede de Mudart
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Investigação Alvitre
Reprodução / PCPE

Policiais em diligências
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Morte da professora
Segundo a investigação, Simone tinha informações relevantes sobre o funcionamento do esquema e havia apresentado evidências relacionadas a pagamentos e à entrega de valores. Ela havia sido intimada a prestar depoimento na Delegacia de Porto de Galinhas, no inquérito que apura o desvio de recursos de emendas parlamentares da Câmara de Ipojuca.
Em 28 de outubro de 2025, Simone compareceu à delegacia, mas não chegou a ser ouvida porque outro procedimento estava sendo realizado na unidade. O depoimento foi reagendado. Poucas horas depois de deixar a delegacia, ela foi executada a tiros no quintal de casa.
Desvios e repasses
As investigações apontaram que, entre 2017 e 2024, a Mudart recebeu aproximadamente R$ 1,2 milhão em recursos públicos. Os investigadores identificaram indícios de direcionamento de emendas, liberação irregular de recursos, pagamento de vantagens indevidas e uso de documentação fiscal sem correspondência com os serviços efetivamente executados.
Ainda segundo a Polícia Civil, a própria Mudart teria repassado R$ 480 mil à empresa M. A. da Silva Festas. O endereço cadastrado pela empresa correspondia, na realidade, a um pequeno restaurante, sem estrutura empresarial compatível com a execução dos projetos que justificaram os pagamentos.
No núcleo financeiro da organização, uma das investigadas apresentou movimentação de aproximadamente R$ 16,7 milhões entre agosto de 2023 e dezembro de 2025.




