FIAÇÃO IRREGULAR
Reunião nesta sexta-feira (11) cobrou atuação mais rápida da Equatorial e da Ilumina para retirar cabos sem uso e reduzir riscos de acidentes nas ruas
O emaranhado de fios e cabos nos postes de Maceió foi tema de uma reunião nesta sexta-feira (11) entre o Ministério Público de Alagoas, a Equatorial, a Ilumina e representantes de empresas de internet. O encontro cobrou medidas mais rápidas para retirar cabos sem uso e instalações irregulares, além de organizar a rede e reduzir os riscos de acidentes para quem circula pela cidade.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
A situação é fácil de encontrar nas ruas da capital: postes carregados de fios, alguns aparentemente abandonados, misturados aos cabos que ainda levam energia e serviços de internet para os moradores.
Leia também
Para o Ministério Público, o problema não pode continuar fazendo parte da paisagem urbana. O promotor de Justiça Jorge Dória afirmou que o órgão já instaurou um procedimento para buscar a eliminação das irregularidades.
Segundo ele, além de prejudicar a estética da cidade, o excesso de fios também pode representar risco à população, já que alguns cabos podem estar energizados.
“O que o Ministério Público não aceita mais é essa convivência, a permanência dessa situação”, afirmou o promotor.
Equatorial é cobrada por atuação imediata
A Ilumina já realiza a retirada de cabos em desuso por meio do projeto Poste Limpo. Para o MP, porém, as ações precisam avançar.
Durante a reunião, a cobrança foi para que a Equatorial também desenvolva, a curto prazo, medidas para ajudar na limpeza dos postes. A proposta é que a concessionária e a Ilumina possam atuar de forma conjunta para tornar a retirada dos cabos mais rápida e efetiva.
A cobrança está relacionada também à responsabilidade sobre o uso da estrutura. De acordo com Jorge Dória, por ser a concessionária responsável pelos postes, a Equatorial precisa ter maior fiscalização e protagonismo na organização da rede.
Centenas de toneladas já foram retiradas
O tamanho do problema pode ser percebido pela quantidade de material que já precisou ser removido.
A Ilumina informou que mais de 270 toneladas de cabos já foram retiradas de diversos bairros de Maceió por meio do projeto Poste Limpo.
A Aspeal, Associação dos Provedores do Estado de Alagoas, informou que o projeto alcançou aproximadamente 200 quilômetros de vias da capital, com a retirada de cerca de 300 toneladas de cabos e outros materiais abandonados.
Os números apresentados pelas instituições têm levantamentos diferentes, mas ajudam a dimensionar a quantidade de material que precisa ser retirada da infraestrutura urbana.
O que fazer com tanto cabo retirado?
A discussão não termina quando os fios deixam os postes. A Aspeal também apoia estudos para encontrar uma destinação para o material recolhido.
A associação informou que os cabos poderão ser reciclados e reaproveitados em produtos utilizados na construção civil e na infraestrutura urbana, como materiais para concreto e asfalto, além de tampas de bueiro, blocos, pisos e revestimentos.
Outra proposta defendida pela entidade é ampliar o uso de redes compartilhadas, conhecidas como redes neutras. A ideia é permitir que diferentes provedores utilizem a mesma infraestrutura e, assim, evitar o acúmulo de novos cabos nos postes.
Empresas dizem que já adotam medidas
A Equatorial Alagoas informou que já adota medidas para organizar o uso dos postes pelas redes de telecomunicações. Segundo a distribuidora, quando são identificadas irregularidades técnicas, as empresas responsáveis são notificadas para fazer as adequações necessárias.
A empresa também afirmou que vai contribuir com informações e sugestões sobre o tema, seguindo os prazos e encaminhamentos definidos com o Ministério Público.
Já a Ilumina informou que vai encaminhar ao MP as informações e propostas solicitadas durante a reunião.
Para quem passa todos os dias pelas ruas de Maceió, a expectativa é que a cobrança resulte em uma mudança visível: menos fios abandonados, postes mais organizados e uma estrutura mais segura.
O Ministério Público quer justamente acelerar esse processo e fazer com que a retirada dos cabos irregulares deixe de ser uma ação pontual e passe a ser tratada de forma mais efetiva pelos responsáveis.


