Independentemente do candidato que ocupar o Palácio dos Bandeirantes a partir de 2027, a eleição de 2026 para o governo de São Paulo já representa um marco dentro da pauta de diversidade. O pleito deste ano terá o menor número de candidatos e, ao mesmo tempo, a maior diversidade racial e de gênero do século. Dos sete nomes na disputa pelo Executivo paulista, três são pretos ou pardos, enquanto quatro são brancos.
O levantamento feito pelo Metrópoles considera as autodeclarações raciais dos candidatos nas sete eleições estaduais realizadas desde 2002.
Neste ano, 42,9% dos candidatos ao governo paulista são pretos ou pardos — a maior proporção registrada no período analisado. São um homem pardo (Carlos Machado, do PCB), uma mulher parda (Izadora Dias, do PCO) e uma mulher preta (Vera Lúcia, do PSTU). Os outros quatro candidatos são brancos, divididos igualmente entre dois homens (Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e Fernando Haddad, do PT) e duas mulheres (Vivian Mendes, da UP, e Policial Edjane, do Agir).







Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Jessica Bernardo/ Metrópoles
Fernando Haddad (PT)
Rebeca Ligabue/Metrópoles
Vera Lúcia (PSTU)
@vera_pstu/Instagram/Reprodução
Carlos Machado (PCB)
@camarada_carlos_machado/Instagram/Reprodução
Izadora Dias (PCO)
Vivian Mendes (UP)
Policial Edjane (Agir)
Redes sociais/Reprodução
A mudança fica mais evidente na comparação com as eleições anteriores. Até 2018, nenhuma disputa pelo governo paulista neste século havia reunido mais de dois candidatos pretos ou pardos. Em 2002, 2006 e 2010, todos os concorrentes eram brancos.
Em 2014, dos nove candidatos, sete eram homens brancos, um era homem pardo e outro, homem preto. Quatro anos depois, em 2018, a eleição teve 13 candidatos: nove homens brancos, duas mulheres brancas, um homem pardo e um homem preto.
Já em 2022, os dez candidatos registrados aparecem como brancos nas autodeclarações consideradas para aquela eleição.
Mulheres pretas e pardas estreiam na disputa
A eleição deste ano também representa uma mudança no perfil das mulheres que concorrem ao governo paulista. Pela primeira vez neste século, há mulheres pretas ou pardas entre os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes.
Das sete candidaturas de 2026, quatro são de mulheres: duas brancas, uma parda e uma preta. Os outros três candidatos são homens, sendo dois brancos e um pardo.
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O número também representa um recorde feminino no período analisado. Em 2002, 2006 e 2010, havia apenas uma mulher, branca, concorrendo em cada eleição (a mesma pessoa nos três casos, Anaí Caproni). Em 2014, nenhuma mulher disputou o governo paulista. Em 2018, foram duas, ambas brancas e, em 2022, uma mulher branca.
Assim, 2026 é a primeira eleição paulista do século em que as mulheres são maioria entre os candidatos ao governo: quatro dos sete nomes, ou 57,1%.
Menor número de candidatos
O aumento da diversidade ocorre justamente na eleição com menos concorrentes ao governo de São Paulo neste século.
Em 2002, foram 15 candidaturas, mesmo número registrado em 2006. A eleição de 2010 teve nove nomes, assim como a de 2014. Em 2018, foram 13 candidatos e, em 2022, dez. Agora, são apenas sete.
Somadas as sete eleições, foram 77 candidaturas ao governo paulista. Desse total, 70 registros são de candidatos autodeclarados brancos nas respectivas eleições e sete, de pretos ou pardos. Ou seja, apenas 9,1% das candidaturas registradas no período foram de pessoas pretas ou pardas.
Há uma particularidade nessa soma. Edson Dorta, do PCO, aparece com autodeclarações raciais diferentes nas duas eleições em que concorreu: declarou-se pardo em 2018 e branco em 2022. Como o levantamento considera a declaração feita pelo próprio candidato em cada pleito, Dorta foi contabilizado como pardo em 2018 e como branco quatro anos depois.




