MORTA PELO MARIDO
Aos 49 anos, mulher deixa lembranças entre pessoas que conviviam com ela; irmã conta que chegou a alertá-la sobre o comportamento do companheiro
Mais do que a vítima de um feminicídio, Cristiana Pereira dos Santos, de 49 anos, é lembrada pela família e pelos amigos como uma mulher alegre, carinhosa e que gostava de estar perto das pessoas. Ela foi morta nessa quarta-feira (16), dentro da própria casa, em Rio Largo, pelo companheiro, Carlos Keuvilin, de 34 anos, segundo a Polícia Civil.
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Na despedida, a dor da família se mistura às lembranças dos momentos vividos ao lado de Cristiana. Para quem convivia com ela, falar sobre a mulher é também recordar o sorriso, as conversas e a presença marcante no dia a dia.
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A irmã, Luciana Pereira, conta que as duas mantinham uma relação próxima. Ela também revela que chegou a conversar com Cristiana sobre o comportamento do companheiro e tentou alertá-la.
A notícia da morte, segundo Luciana, foi recebida com choque. Agora, resta à família conviver com a ausência e buscar forças para seguir depois da perda.
‘Ela sempre animava as aulas’, lembram amigos
Cristiana também deixou amigos no Loteamento Asa dos Ventos, onde morava. Ela participava de aulas de funcional realizadas na Associação de Moradores da comunidade.
A autônoma Silvana Ferreira conta que Cristiana era uma presença que fazia diferença nos encontros. O jeito alegre e espontâneo fazia com que ela fosse lembrada por quem compartilhava aqueles momentos.
O presidente da Associação de Moradores do Loteamento Asa dos Ventos, José Jonatan, também guarda lembranças da convivência com Cristiana.
As histórias contadas por familiares e amigos ajudam a reconstruir quem era a mulher que existia antes de o crime interromper sua trajetória.
Crime interrompeu uma história de vida
Cristiana mantinha um relacionamento com Carlos Keuvilin havia pouco mais de dois anos. Segundo a Polícia Civil, os dois discutiram antes do crime.
O companheiro foi apontado como autor do feminicídio e preso em Sergipe após fugir de Rio Largo. De acordo com a investigação, ele confessou o assassinato e relatou que os dois haviam entrado em luta corporal antes dos golpes de faca.
Caso chama atenção para rede de proteção
De acordo com a Secretaria Municipal da Mulher e da Pessoa com Deficiência de Rio Largo, não havia registro de denúncia de agressão contra Cristiana no município.
A ausência de registros anteriores, no entanto, reforça a importância de orientar mulheres sobre os mecanismos disponíveis para pedir ajuda e buscar proteção diante de situações de violência.
A secretária da Mulher, Arabella Mendonça, destaca ações desenvolvidas no município, entre elas a Operação Abraço Protetor.
Durante as visitas, os profissionais acompanham mulheres que possuem medidas protetivas, verificam o cumprimento das determinações judiciais e procuram identificar possíveis situações de risco ou novas necessidades.
Enquanto a investigação e os procedimentos judiciais avançam, a família tenta lidar com uma perda que não pode ser reparada.
Para Luciana, fica a saudade da irmã e o desejo de que o caso resulte em justiça.
“Quero justiça.”


