Rio de Janeiro e Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (23/9), que pretende acabar com as bets no Brasil e disse que os clubes de futebol terão de encontrar outras formas de financiamento. Em evento de campanha com artistas no Rio de Janeiro, o petista associou as apostas à lavagem de dinheiro e ao endividamento de jogadores e apostadores.
“Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets. Os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro”, declarou Lula durante o ato “Cultura com Lula”, realizado na Fundição Progresso, na Lapa.
A manifestação de Lula ocorre após 15 clubes da Série A do Brasileirão assinarem um manifesto contra o fim dos sites de apostas on-line, as bets. Os clubes alegam que uma proibição representaria o “fim do futebol brasileiro”.
Antes do discurso de Lula, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), e a cantora Daniela Mercury defenderem o fim das apostas on-line. O governo discute novas medidas para restringir o setor e avalia a edição de uma medida provisória sobre o tema.
O petista ressaltou que pretende endurecer as regras para as plataformas e disse que não tem problema em assumir publicamente a intenção de acabar com as bets.
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do Metrópoles
“Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets. Eu terei o imenso prazer em regular plataformas como nós fizemos com a Ecabet Digital”, afirmou.
Segundo o presidente, o objetivo seria impedir que plataformas de apostas explorem usuários enquanto concentram receitas. Ele também citou a preocupação com a influência dos algoritmos sobre os consumidores.
“A gente está tudo atrelado aos algoritmos. E, se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar”, disse.

Adversários gastaram R$ 1,2 milhão em publicações contra Lula nas redes sociais
José Cruz/Agência Brasil

Apesar de ainda não oferecer um app, apostar na Rivalo pelo celular é bem simples
Arte / Parceiros Metrópoles

Presidente Lula
KEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo
Pressão sobre o setor
- A ofensiva contra as bets ganhou espaço na campanha de Lula nas últimas semanas.
- O presidente já havia afirmado que pretende acabar com as plataformas e contestado a ideia de que o futebol brasileiro dependa da receita gerada pelo setor.
- Nesta quarta-feira, Lula também reuniu ministros e auxiliares no Palácio da Alvorada para discutir medidas de restrição às apostas.
- Ainda não há, contudo, uma decisão definitiva sobre o formato das medidas que serão adotadas pelo governo.
- Entidades ligadas ao setor e clubes de futebol defendem a manutenção do mercado regulamentado e argumentam que uma proibição poderia afetar receitas e contratos de patrocínio.
Futebol sem bets
Ao defender o fim das apostas, Lula rebateu o argumento de que os clubes brasileiros dependem financeiramente das bets. Nos últimos dias, equipes de futebol se manifestaram contra uma eventual proibição e defenderam a manutenção do mercado regulamentado.
O presidente citou clubes que conquistaram títulos internacionais antes da expansão das casas de apostas on-line.
Lula lembrou, entre outros, Santos, Flamengo, Corinthians, Internacional, Grêmio e São Paulo. Também citou os títulos mundiais da Seleção Brasileira em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Na avaliação do presidente, os clubes precisam buscar alternativas de financiamento. Ele mencionou a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), modelo criado para permitir a entrada de investidores privados nos clubes.
“Os times que aprendam a virar times de empresários. Nós aprovamos a lei para eles virarem empresários, aprovamos a SAF. Por que é que não vira empresário? Porque não se preparam para isso”, declarou.




