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A campanha de JHC é alvo de uma ação no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas por suposto caixa 2 na contratação de pesquisas. A acusação aponta R$ 329 mil pagos à TDL pela Agora Alagoas Comunicação, empresa com capital social de R$ 5 mil.
A sequência começou em abril. No dia 28, a TDL registrou uma pesquisa contratada pela Agora Alagoas por R$ 47 mil. O levantamento foi cancelado dois dias depois, antes da divulgação, e substituído por outro com a mesma contratante, o mesmo valor e a mesma amostra.
Em junho, outra pesquisa da TDL trouxe como contratante a Coagro. Divulgado no dia 26, o levantamento apontava JHC com 52%, contra 37% de Renan Filho — uma das maiores diferenças registradas entre os dois candidatos ao longo da campanha.
A Coagro negou ter contratado a pesquisa ou autorizado a emissão da nota fiscal. A TDL alegou que assumiu o custo, mas não apresentou contrato nem comprovante do pagamento. A pesquisa foi considerada não registrada pela Justiça Eleitoral, decisão posteriormente mantida pelo TRE.
A partir de julho, a Agora Alagoas passou a aparecer como única pagadora dos levantamentos da TDL sobre as eleições para governador e senador. Foram mais seis pesquisas de R$ 47 mil cada. Na reta final, o intervalo entre os registros caiu de dez para seis dias.
Quando a ação foi protocolada, seis pesquisas já haviam sido divulgadas e a sétima estava prevista para 30 de setembro. Todas as divulgadas apresentavam JHC na liderança. Em setembro, uma delas chegou a projetar vitória no primeiro turno, com 57% dos votos válidos.
A TDL se destacou na campanha por divulgar alguns dos cenários mais favoráveis a JHC, enquanto outros institutos apontavam empate técnico ou vantagem de Renan Filho.
Os resultados foram publicados por sites, rádios e perfis ligados ao mesmo grupo de comunicação. Duas pesquisas receberam impulsionamento pago pelo Francês News. O próprio perfil de JHC também divulgou levantamento contratado pela Agora Alagoas.
Na prestação parcial de contas da campanha não aparece nenhuma despesa com pesquisas eleitorais. Os CNPJs da Agora Alagoas, da TDL e da Coagro também não constam como fornecedores ou doadores.
A ação destaca ainda a capacidade financeira da empresa apontada como pagadora. Os R$ 329 mil desembolsados em cinco meses representam quase 66 vezes o capital social da Agora Alagoas e cerca de 91% do limite anual de faturamento de uma microempresa.
Uma das sócias, ocupa cargo comissionado na Prefeitura de Maceió. Outra, é mãe de um servidor municipal que trabalhou como secretário parlamentar de JHC na Câmara dos Deputados.
A ação não questiona a metodologia das pesquisas nem afirma que os resultados sejam falsos. A acusação se concentra na origem do dinheiro, no pagamento realizado fora das contas eleitorais e no benefício político produzido pela divulgação dos levantamentos.
A coligação autora pede a apresentação dos contratos, notas fiscais, comprovantes e documentos contábeis. Também solicita a quebra do sigilo bancário da Agora Alagoas e das empresas do grupo São Judas Tadeu entre abril e setembro.
Além de JHC, são apontados como beneficiários os candidatos ao Senado Arthur Lira e Marina Cândia, com os integrantes de suas chapas. Tadeu Lira, responsável pela TDL, é apresentado na ação como primo de Arthur Lira.
Se as acusações forem confirmadas, a coligação pede a cassação dos registros ou diplomas e a inelegibilidade dos envolvidos. Ainda não há julgamento, e os investigados terão direito à defesa.
Veja a ação:
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