Muita gente usa o Claude de uma forma extremamente básica: faz uma pergunta, recebe uma resposta e segue em frente.
Isso funciona, mas desperdiça uma parte importante do potencial da ferramenta.
O Claude não precisa ser usado apenas como alguém que “responde melhor”. Ele também pode assumir diferentes modos de análise dependendo da forma como você estrutura o pedido. Em vez de simplesmente perguntar “o que você acha?”, você pode orientar a IA para criticar, defender, simplificar, reconstruir ou projetar consequências.
Essa mudança parece pequena, mas produz respostas muito diferentes.
O ponto central não está em decorar palavras mágicas. Está em entender que cada comando cria um tipo específico de raciocínio.
A seguir, estão sete estruturas que podem melhorar bastante a qualidade das respostas, especialmente quando você trabalha com conteúdo, estratégia, propostas, projetos e decisões.
1. Contrarian: peça para encontrar o que está errado na sua ideia
A maioria das pessoas usa IA para validar o que já pensou.
Esse é um erro.
Se você apresenta uma ideia e pergunta apenas “isso faz sentido?”, existe uma grande chance de receber uma resposta excessivamente cordial ou pouco crítica.
O modo contrarian faz o contrário.
Você pede para o Claude assumir uma postura crítica e procurar falhas, riscos, pressupostos frágeis e pontos que você talvez esteja ignorando.
Isso é útil quando você quer testar um conteúdo, um lançamento, uma oferta ou uma estratégia antes de colocar em prática.
Em vez de pedir:
“Analise essa ideia.”
Você pode pedir:
“Assuma uma postura contrária e encontre os pontos fracos dessa ideia. Quais premissas podem estar erradas? O que um crítico inteligente apontaria?”
Esse tipo de comando não serve para destruir sua ideia. Serve para aumentar a qualidade dela antes que o mercado faça isso por você.
2. Steelman: construa a versão mais forte possível do argumento
Steelman é quase o oposto do anterior.
Aqui, a ideia é pedir para o Claude pegar um argumento e fortalecê-lo ao máximo, reconstruindo a melhor versão possível antes de avaliar.
Esse comando é ótimo quando você está preparando uma apresentação, escrevendo uma proposta, construindo uma tese de conteúdo ou tentando defender uma decisão.
Muitas vezes, nossas ideias não são ruins, mas estão mal explicadas.
O Claude pode ajudar a reorganizar raciocínio, melhorar lógica e eliminar pontos frágeis.
Um bom pedido seria:
“Pegue esse argumento e construa a versão mais forte possível dele. Melhore a lógica, elimine redundâncias e antecipe objeções.”
Esse tipo de estrutura é especialmente útil para quem trabalha com copywriting, vendas e comunicação.
3. ELI5: faça a IA explicar como se você tivesse cinco anos
ELI5 vem de “Explain Like I’m 5”.
A ideia é simples: pedir uma explicação tão clara que qualquer pessoa consiga entender.
Esse comando funciona muito bem para aprender temas complexos ou transformar assuntos técnicos em conteúdo didático.
Se você trabalha com um nicho que possui linguagem difícil, o ELI5 pode ajudar bastante a traduzir a informação.
Por exemplo:
“Explique esse conceito como se eu tivesse cinco anos, usando exemplos simples e sem termos técnicos.”
Isso não significa infantilizar o conteúdo.
Significa reduzir complexidade desnecessária.
Uma das habilidades mais importantes de quem cria conteúdo é conseguir explicar algo complexo de forma simples sem perder precisão.
E esse comando ajuda exatamente nisso.
4. TLDR: peça uma versão curta e objetiva
TLDR significa “Too Long; Didn’t Read”.
É um comando útil quando você precisa resumir textos longos, relatórios, artigos ou respostas extensas.
A ideia é pedir para o Claude reduzir tudo ao essencial.
Você pode usar algo como:
“Faça um TLDR desse texto em cinco pontos, mantendo apenas o que realmente muda a decisão.”
Esse detalhe é importante.
Não peça apenas “resuma”.
Diga o que deve permanecer.
Porque existem resumos que ficam tão curtos que perdem o que realmente importa.
O objetivo do TLDR não é cortar informação aleatoriamente. É eliminar o que é secundário e preservar o núcleo.
5. Roast: peça uma crítica sem suavizar
Esse modo é útil quando você quer melhorar algo que já produziu.
Você pode pedir para o Claude criticar um texto, uma bio, uma página de vendas, uma proposta ou um roteiro sem tentar ser gentil.
A lógica é simples: reduzir o excesso de validação e aumentar a honestidade da análise.
Por exemplo:
“Faça um roast desse texto. Aponte tudo o que está fraco, genérico, confuso ou pouco convincente.”
Isso pode ajudar muito porque, muitas vezes, o problema de uma peça não está no conteúdo principal, mas na falta de clareza, excesso de clichê ou argumento mal desenvolvido.
Mas cuidado.
O roast deve ser usado como ferramenta de melhoria, não como avaliação emocional.
A ideia não é receber uma crítica agressiva por entretenimento. É identificar falhas rapidamente.
6. Second Order: analise as consequências de longo prazo
Esse é um dos comandos mais interessantes para decisões estratégicas.
Second order thinking significa pensar além do efeito imediato.
Muita decisão parece boa no curto prazo, mas gera problemas depois.
O Claude pode ajudar a mapear isso.
Por exemplo:
“Analise essa decisão usando pensamento de segunda ordem. Quais consequências podem aparecer depois de três meses, seis meses e um ano?”
Isso é útil para marketing, preço, contratação, lançamento, posicionamento e praticamente qualquer decisão de negócio.
O ganho aqui está em sair do raciocínio:
“Isso funciona agora?”
E começar a pensar:
“Se isso funcionar agora, o que acontece depois?”
Essa mudança melhora muito a qualidade das decisões.
7. First Principles: reconstrua o problema do zero
First principles é uma forma de raciocínio que tenta desmontar um problema até chegar aos fatos mais básicos.
Em vez de aceitar suposições prontas, você pergunta:
O que eu realmente sei?
O que é apenas tradição?
O que estou assumindo sem prova?
Depois, reconstrói a solução a partir dessa base.
Você pode pedir:
“Analise esse problema por primeiros princípios. Separe fatos, suposições e crenças, depois reconstrua a solução do zero.”
Esse tipo de comando é excelente para problemas complexos porque força uma revisão das premissas.
Muitas vezes, a dificuldade não está na falta de solução.
Está no fato de estarmos tentando resolver o problema a partir de uma premissa errada.
Esses comandos não são mágicos
Existe um ponto importante que precisa ficar claro.
Nenhum desses termos funciona como código secreto que desbloqueia uma inteligência escondida no Claude.
O que melhora a resposta é a instrução por trás do comando.
Você está dizendo qual tipo de análise quer.
Quer crítica?
Quer defesa?
Quer simplificação?
Quer resumo?
Quer projeção?
Quer reconstrução?
Quando isso fica claro, a IA trabalha com muito mais direção.
Por isso, o melhor uso não é escrever apenas “Contrarian” ou “Steelman” e esperar um milagre.
É combinar o comando com contexto.
Contexto continua sendo mais importante que o comando
Os exemplos das imagens deixam isso claro.
Essas estruturas funcionam melhor quando são usadas junto com um bom contexto.
Se você pede:
“Faça um contrarian.”
Mas não explica o projeto, o público ou o objetivo, a análise tende a ser superficial.
Por outro lado, se você escreve:
“Estou criando uma mentoria para pequenos negócios que faturam até R$ 50 mil por mês. A promessa é ajudar a organizar marketing e vendas. Faça uma análise contrarian dessa ideia e encontre os pontos que podem dificultar a compra.”
A resposta tende a ser muito mais útil.
O comando define o tipo de pensamento.
O contexto define a qualidade.
Como eu usaria isso no dia a dia
Se eu estivesse trabalhando em uma campanha, poderia seguir uma sequência simples.
Primeiro, usaria Steelman para fortalecer a ideia.
Depois, usaria Contrarian para encontrar as falhas.
Em seguida, Roast para revisar a comunicação.
Depois, ELI5 para simplificar a mensagem.
Por fim, Second Order para entender os impactos de longo prazo.
Perceba que os comandos não competem entre si.
Eles podem ser usados em sequência.
Isso transforma o Claude em uma ferramenta de revisão muito mais completa.
A grande vantagem não é obter respostas melhores. É pensar melhor.
Esse é o ponto que mais me interessa.
Quando você aprende a usar esse tipo de estrutura, não está apenas melhorando o output da IA.
Está melhorando a forma como você organiza suas próprias perguntas.
E perguntas melhores levam a decisões melhores.
A ferramenta pode criticar, simplificar e reorganizar.
Mas a visão continua sendo sua.
O Claude não substitui repertório, experiência ou julgamento.
Ele funciona melhor quando você sabe o que quer extrair dele.
No fim, a diferença não está em quem usa mais inteligência artificial.
Está em quem sabe direcionar melhor o raciocínio.
E isso começa com uma pergunta simples:
que tipo de pensamento eu preciso agora?




