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STF cria novas regras para evitar que pedidos sejam direcionados a ministro específico


Ministro Edson Fachin do STF — Foto: Rosinei Coutinho/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, fixou nesta sexta-feira (2) uma espécie de filtro para tentar barrar o direcionamento de pedidos para ministros. Pela nova regra, novas petições deixam de ser vinculadas automaticamente a um processo e passam antes por uma etapa de controle, o que evita que cheguem direto a um…

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, fixou nesta sexta-feira (2) uma espécie de filtro para tentar barrar o direcionamento de pedidos para ministros.

Pela nova regra, novas petições deixam de ser vinculadas automaticamente a um processo e passam antes por uma etapa de controle, o que evita que cheguem direto a um relator específico dentro da Corte.

A medida foi adotada após episódios da “guerras de liminares”, quando ministros do STF protagonizaram decisões divergências sobre o mesmo assunto, o que gerou tensão interna.

A mudança também ocorreu depois de um questionamento feito pelo ministro Kassio Nunes Maques, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No fim do mês passado, Nunes Marques reclamou da “indevida sobreposição de competência” do STF sobre o TSE — no caso de postagens sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Nossa Senhora Aparecida

 

O caso mais recente envolvendo o direcionamento de pedidos a relatores específicos ocorreu na discussão sobre a retirada de postagens que associavam o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, a um suposto movimento para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

O ministro André Mendonça, no TSE, determinou a retirada das publicações por considerar falsa essa associação. A decisão atingiu mais de mil postagens.

Na sequência, o humorista Antonio Tabet apresentou ao ministro Flávio Dino, em uma ação que já tramitava no STF, um pedido para derrubar a ordem de Mendonça, sob o argumento de censura prévia.

Dino atendeu ao pedido e permitiu o restabelecimento de uma publicação de Tabet sobre o assunto e de outras postagens removidas pelo mesmo fundamento.

Flávio Bolsonaro, então, recorreu ao ministro Luiz Fux, relator de ações que discutiram e ampliaram a responsabilidade das plataformas digitais, para suspender a decisão de Dino. Fux atendeu ao pedido do senador.

O episódio levou o plenário do TSE a analisar a decisão individual de Mendonça e ajustar a ordem, restringindo seu alcance a postagens consideradas sabidamente falsas que associassem o candidato à ideia ou a ações para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Na prática, pedidos que forem apresentados dentro de processos já existentes no Supremo passarão por uma análise antes de chegar ao relator.

Será preciso verificar se o novo pedido tem, de fato, relação suficiente com a ação original para permanecer vinculado a ela.

Se essa relação não for reconhecida, a petição será transformada em um processo independente.

Então, neste caso, será distribuída entre os ministros por sorteio ou por prevenção, quando as regras do tribunal determinarem que um magistrado que já analisa questão relacionada deve receber o caso.

Quais pedidos passam pelo novo filtro

 

A nova regra alcança, entre outros casos, petições apresentadas por terceiros, ou seja, pessoas ou entidades que não sejam partes naquele processo, advogados das partes ou integrantes do Ministério Público que atuem na ação.

Também terão de passar pela análise as petições que:

  • questionem ato de uma autoridade ou órgão judicial que não faz parte do processo;
  • tentem estender uma decisão a pessoas, atos ou fatos que não são objeto da ação original;
  • apresentem pedidos contra quem não seja parte do processo.

Quem decide se o pedido fica com o mesmo relator

Até agora, um dos pontos mais técnicos da distribuição era definir quando dois pedidos são suficientemente ligados para serem analisados juntos.

Com a resolução, a vinculação por conexão ou continência dependerá de uma validação formal.

A análise será feita pelo coordenador de Processamento Inicial e pelo secretário Judiciário e também terá de passar pela Presidência do STF.





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