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Quem trabalha seis dias vota no sétimo? A 6×1 entra na reta final


Neste domingo (4/10) tem eleição e, para milhões de brasileiros, também é dia de trabalho. Segundo levantamento do Ministério do Trabalho apresentado em março, 33,2% dos trabalhadores registrados estão na escala 6×1, cerca de 14,8 milhões de pessoas. A escala é mais comum justamente nos setores que abrem aos domingos, como transporte aéreo, hospedagem, alimentação e comércio.

Quantos deles vão trabalhar neste domingo, e quantos vão deixar de votar por isso, ninguém sabe. Não há contagem oficial de escalados para o dia da eleição nem estudo que meça o efeito do trabalho dominical na abstenção. A lei obriga o empregador a liberar o funcionário para votar, sem desconto no salário e sem compensação de horas.

O perfil desse trabalhador ajuda a entender por que o tema importa. Estudo do Ipea mostra que quem cumpre 44 horas semanais ganha em média R$ 2.626, menos da metade dos R$ 6.211 de quem trabalha 40 horas. É um eleitor na fronteira entre os mais pobres, onde Lula lidera, e a faixa de 2 a 5 salários mínimos, onde Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho.

É aí que o calendário do Congresso entra na eleição. A PEC que acaba com a 6×1 e reduz a jornada para 40 horas foi aprovada na Câmara em 27 de maio e passou mais de quatro meses parada no Senado. Em 2 de setembro, a votação travou sem os 49 votos necessários, com o plenário esvaziado pela oposição. Agora, Davi Alcolumbre (União-AP) pautou o texto para a próxima semana, no intervalo entre os turnos.

Mesmo aprovada, a PEC não muda nada antes do segundo turno. Ela precisa ser promulgada pelo Congresso e a escala 6×1 só acaba 60 dias depois. A jornada de 40 horas vem em até 14 meses. Em 25 de outubro, o efeito eleitoral virá da promessa, não do benefício.

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do Metrópoles



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