A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) ampliou seu número de mulheres para 2027 em 75%. O número de cadeiras ocupadas na Casa por mulheres atualmente é 16, mas saltou para 28 nestas eleições. Ao todo, são 94 cadeiras disponíveis.
No entanto, apesar da maior representatividade feminina, o conservadorismo continua em peso: 15 das 28 eleitas são de partidos da direita ou extrema-direita.
Entre os cinco deputados estaduais mais votados de São Paulo, três são mulheres: Eduarda Campopiano (PL), que liderou a votação geral com 1.956.238 votos, Sofia Favero (PSol), com 407.773 votos e Paula Nunes, que representa a Bancada Feminista do PSol, com 326.190 votos.
Confira lista completa das deputadas estaduais eleitas e seus partidos:
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do Metrópoles SP
- Ediane Maria (PSol)
- Luiza Erundina (PSol)
- Monica das Pretas (PSol)
- Eduarda Campopiano (PL)
- Sofia Favero (PSol)
- Paula da Bancada Feminista (PSol)
- Bruna Furlan (Republicanos)
- Dani Alonso (PL)
- Regina Nunes (MDB)
- Duda Hidalgo (PT)
- Professora Bebel (PT)
- Ana Carolina Serra (PSDB)
- Mariana Conti (PSol)
- Delegada Graciela (PL)
- Marta Costa (PSD)
- Débora Camilo (PSol)
- Leticia Aguiar (PL)
- Carla Morando (PSD)
- Analice Fernandes (PSD)
- Ely Santos (Republicanos)
- Thainara Faria (PT)
- Marina Bragante (PSB)
- Solange Freitas (União Brasil)
- Camila Godoi (União Brasil)
- Renata Sene (Republicanos)
- Ana Perugini (PT)
- Fabiana Bolsonaro (PL)
- Keit Lima (PSol)
De 28 candidatas, 15 são de partidos conservadores (PL, União Brasil, Republicanos, PSD, PSDB e MDB), enquanto 13 são de partidos progressistas ou moderados.
O que as mais votadas defendem?
Eduarda Campopiano (PL), a deputada mais votada do Brasil, tem como o cerne de sua campanha a preservação dos “valores tradicionais” e utiliza como jargão “Deus, pátria e família”, mesmo slogan eleitoral que Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado, usou em sua campanha à presidência em 2018.

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Eduarda Campopiano fez campanha apoiada pela forte presença nas redes sociais
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Eduarda Campopiano, do PL, foi a deputada estadual mais votada de São Paulo
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Campopiano cresceu nas redes sociais fazendo declarações polêmicas e contraditórias relacionadas a gênero, classe social e questões raciais. Além disso, uma das suas principais propostas para o Estado de São Paulo é combater a esquerda na política.
A “maior inimiga das feministas” (como se descreve na internet) já gravou conteúdos em que se diz contra o uso do termo “feminicídio”, afirmando que “um homem não mata uma mulher por ela ser mulher. Se esse fosse o caso, o mesmo homem que mata a companheira também tentaria matar a própria mãe, que também é mulher, por exemplo [SIC]”.
Cristã e reacionária, a nova deputada estadual também já agradeceu pela colonização e relacionou o canibalismo aos indígenas. Em sua participação no RedCast, afirmou que, sem a colonização no Brasil, os povos originários estariam cometendo canibalismo.
“Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…’”, disse Campopiano.
Para mais, a deputada também se posicionou contra o Projeto de Lei (PL) da Misoginia — afirmando que “o feminismo criminaliza o homem e endeusa a mulher” — contra o aborto, à favor da redução da maioridade penal e contra a política de cotas nas universidades públicas.

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Sofia Favero (PSol) é segunda mulher mais votada para deputada estadual de SP
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Sofia Favero (PSol) e Érika Hilton (PSol)
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Sofia Favero (PSol) é uma mulher transexual, que acumulou mais de 400 mil votos e teve sua candidatura apoiada por Érika Hilton (PSol), reeleita à deputada federal por SP nestas eleições.
Favero é Dra. em Psicologia e ativista pelo direito das pessoas transexuais. Além disso, a deputada também discursa sobre questões ambientais e apresentou diversos projetos relacionados ao combate à crise climática.
Favero se posiciona à favor do PL da Misoginia, do fortalecimento do SUS, do combate ao machismo estrutural, da transfobia e do feminicídio. Também esteve envolvida na denúncia sobre o uso de emendas parlamentares no financiamento de grandes shows realizados em municípios paulistas, ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

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Paula Nunes (PSol) é terceira mulher mais votada para deputada estadual de SP e reelege Bancada Feminista
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Bancada feminista (PSol) se reelege com mais de 300 mil votos nas eleições de 2026
Divulgação/Bancada Feminista
Paula Nunes (PSol) representa a Bancada Feminista, um mandato coletivo com a participação de outras 4 mulheres: Simone Nascimento, Sirlene Maciel, Camila Lisboa e Raquel Gualberto.
Com mais de 300 mil votos, a bancada se reelegeu com um discurso de enfrentamento a extrema-direita e ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), também reeleito nestas eleições.
Seus projetos se concentram em temas centrais, como o feminismo, o antirracismo, a defesa da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e da justiça socioambiental. Um dos feitos da bancada foi a implementação do selo “Empresa Amiga do Cuidado”, que é concedido às empresas que adotam políticas internas de abono de faltas justificadas de seus empregados e empregadas para o acompanhamento de familiares ou outras pessoas a consultas médicas ou até mesmo creche.
Além disso, o mandato coletivo se posiciona contra privatizações, principalmente do transporte público.

