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Piloto da Cadillac saiu da Malásia de bicicleta após sugestão da namorada, Tiffany Cromwell, e levou três dias para chegar ao destino da F1; aventura incluiu estradas na selva, calor intenso e encontro com animais
Valtteri Bottas trocou o carro de Fórmula 1 pela bicicleta para chegar a Singapura. Depois de disputar o GP da Malásia, o finlandês da Cadillac encarou cerca de 420 quilômetros pedalando até o palco da próxima etapa da categoria. A jornada, concluída na quarta-feira (7), teve estradas isoladas, calor intenso e encontros inesperados com animais pelo caminho.
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Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (8), no circuito de Marina Bay, Bottas contou como a aventura começou e relembrou os momentos mais marcantes do percurso. A ideia partiu de Tiffany Cromwell, namorada do piloto e ciclista profissional australiana, que sugeriu a viagem inicialmente como uma brincadeira.
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“Eu acho que a Tiffany mencionou isso meio que de brincadeira. ‘Ei, você poderia só pedalar de lá, não é tão longe assim’. E eu estava tipo: ‘Hum, talvez eu pudesse’”, contou o piloto.
A proposta acabou se transformando em um desafio de resistência poucos dias antes do GP de Singapura. Bottas organizou o trajeto em etapas para chegar a tempo dos compromissos da Fórmula 1 e preservar as condições físicas para a corrida.
Três dias de pedalada até Singapura
A viagem começou após a etapa disputada na Malásia. No primeiro dia, Bottas percorreu aproximadamente 56,6 quilômetros entre Kuala Lumpur e Port Dickson, em cerca de duas horas de pedalada.
Na segunda-feira, o desafio ganhou outra dimensão. O finlandês percorreu mais de 160 quilômetros até Muar, em um trajeto que exigiu aproximadamente seis horas. Na terça-feira, repetiu uma distância semelhante e avançou pela região costeira da Malásia.
Foi nessa parte da viagem que a aventura ganhou contornos mais imprevisíveis. Além das altas temperaturas e da umidade, Bottas precisou enfrentar trechos de terra e estradas cercadas por vegetação, nos quais os encontros com a vida selvagem fizeram parte do percurso.
A última etapa levou o piloto até Singapura, onde chegou na quarta-feira. O planejamento permitiu distribuir o esforço ao longo dos dias e reservar um período mais leve antes das atividades da Fórmula 1.
Noite na selva e encontros com animais
Entre as experiências vividas durante o trajeto, Bottas destacou a pedalada noturna em meio à vegetação. Sem enxergar tudo o que havia ao redor, o piloto precisou confiar na iluminação da bicicleta para continuar avançando pelas estradas.
“A parte mais louca foi pedalar de noite na selva. O barulho lá… a sua mente começa a criar cenários. Vai saber o que tem lá fora, mas você só precisa seguir em frente e continuar”, relatou.
O finlandês classificou o trecho como uma das partes mais marcantes da viagem. A experiência também foi inédita para ele, que admitiu ter sentido certo receio durante o primeiro momento em que precisou atravessar a região à noite.
A fauna local também surpreendeu o piloto. Bottas contou ter visto cobras e um grande lagarto no caminho. Em um dos episódios, precisou desviar de um animal que apareceu à sua frente quando já estava muito próximo.
“Eu vi algumas cobras, que me deixaram um pouco preocupado, mas na verdade elas eram bem tranquilas. Só estavam fazendo as coisas delas. Eu vi uma cobra píton cruzando o caminho na minha frente”, afirmou.
O percurso ainda reservou situações menos perigosas, mas igualmente inusitadas. Bottas disse que foi perseguido por um cachorro e precisou esperar atrás de um grupo de vacas que bloqueava uma estrada estreita até que os animais liberassem a passagem.
Ao comentar os riscos de pedalar em uma região de mata, o piloto brincou que não acreditava que houvesse tigres por perto. Um jornalista, porém, o alertou de que esses animais também habitam a região.
Bottas garante que estará pronto para o GP
Apesar do desgaste acumulado, Bottas afirmou que planejou a viagem para evitar que o esforço comprometesse seu desempenho na pista. Segundo o piloto, as distâncias foram definidas com antecedência para permitir a recuperação física antes do fim de semana de corrida.
O finlandês também avaliou que a exposição ao calor pode ajudá-lo a lidar com as condições de Singapura, conhecida pelas altas temperaturas e pela umidade elevada. A prova em Marina Bay exige bastante dos pilotos, especialmente pelo esforço físico necessário para completar a corrida em um circuito de rua.
“Tudo foi realmente bem planejado. As distâncias para cada dia foram planejadas, para que eu pudesse me recuperar para o fim de semana”, explicou.
Bottas acrescentou que já está acostumado a realizar pedaladas longas e sabe como organizar a recuperação após esse tipo de esforço. Para ele, a experiência também serviu como uma forma de adaptação às condições climáticas que encontrará durante a etapa.
O GP de Singapura será disputado neste domingo (11), às 9h (de Brasília). Depois de percorrer centenas de quilômetros de bicicleta, enfrentar estradas na selva e cruzar com animais pelo caminho, Bottas agora se prepara para voltar à rotina da Fórmula 1.


