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Governo da Argentina deporta jornalista brasileiro crítico de Javier Milei


O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., crítico do governo Javier Milei, foi deportado da Argentina na última segunda-feira (12/10). O repórter perdeu o visto de residência no país e está impedido de entrar no território argentino nos próximos cinco anos. 

O brasileiro foi deportado após desembarcar no Aeroporto Aeroparque, localizado na capital argentina, Buenos Aires. Segundo autoridades da administração Milei, a decisão ocorreu após o jornalista descumprir condições para a concessão do documento de residência.

Tomaz Jr. tinha visto de residência permanente na Argentina desde 2022, com validade até 2037. Mas, de acordo com a Direção Nacional de Migrações (DNM), o documento foi revogado pois o repórter não teria residido de forma regular na Argentina desde que recebeu o visto em 2022.

A versão, contudo, é contestada pelo jornalista, que enxerga o caso como perseguição política.

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do Metrópoles

Em conversa com o Metrópoles, o brasileiro afirma que passa períodos na Argentina desde 2022, sendo que a última visita aconteceu em julho deste ano, quando permaneceu quase 1 mês no país.

Além do cancelamento de sua residência, o governo da Argentina usou um recente decreto que mira estrangeiros para barrar completamente a entrada do brasileiro no país — ainda ainda que a nação faça parte da zona livre do Mercosul onde vistos para turistas não são necessários.

“Fui deportado e proibido de entrar lá [na Argentina] por cinco anos. Isso já é uma medida com base em um decreto que Milei publicou em julho contra críticos estrangeiros do governo dele”, disse Tomaz Jr. em conversa com a reportagem.

Assinado no fim de julho, o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) prevê a expulsão, ou proibição de entrada na Argentina, de estrangeiros acusados de promover discursos de ódio, discriminação ou violência contra argentinos ou símbolos nacionais. Para alas da oposição, no entanto, a ordem busca silenciar críticas contra a administração Milei.

Thomaz Jr. afirma que não recebeu qualquer comunicado sobre o cancelamento de seu visto, oficializado por autoridades argentinas em 5 de agosto. A data coincidiu com o período em que o repórter esteve envolvido em discussões no ambiente digital, após publicar críticas contra o governo Milei nas redes sociais, e de buscas em seu endereço de residência na Argentina.

Morador de Brasília, o jornalista trabalha atualmente em um livro sobre o governo Javier Milei na Argentina, prevista para ser publicado no primeiro semestre de 2027. Nos últimos anos, o trabalho de Thomaz Jr. tem sido focado nos impactos negativos das medidas econômicas e sociais adotadas pelo líder argentino desde que assumiu o poder em 2023. 

Apesar do episódio, o brasileiro disse ter esperanças de voltar à Argentina, e classificou a decisão do governo Milei como “uma honra”.

“Vou colocar o documento de deportação em um quadro, e emoldurar como se fosse um diploma de honra, porque ter sido deportado pelo governo Milei é uma honra”, afirmou.



Metropole